Minas Gerais lidera apreensão de armas no Brasil em 2025 com aumento de 16,3%
MG lidera apreensão de armas em 2025 com 14.403 unidades

Minas Gerais lidera ranking nacional de apreensão de armas em 2025

Minas Gerais consolidou-se como o estado com o maior número de armas apreendidas no Brasil durante o ano de 2025. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram confiscadas um total de 14.403 unidades no território mineiro, o que representa uma média impressionante de 39 armas por dia.

Esse volume reflete um aumento significativo de 16,3% em comparação com os números registrados no ano anterior, 2024. A posição de destaque de Minas no cenário nacional evidencia um cenário preocupante em relação ao armamento ilegal circulando no estado.

Perfil das armas apreendidas em Minas Gerais

Entre os tipos de armamentos mais comumente apreendidos em Minas Gerais, destacam-se os revólveres, com 5.085 unidades, seguidos pelas pistolas, que somaram 3.568 apreensões, e pelas espingardas, totalizando 3.134 itens confiscados.

No entanto, o que chama ainda mais a atenção é a presença de armamentos pesados no estado. Foram apreendidas 219 submetralhadoras, 94 fuzis e até 6 metralhadoras, equipamentos de alto poder destrutivo que elevam o nível de risco para a segurança pública.

Caso emblemático em Belo Horizonte

Na noite de segunda-feira, 26 de maio, um episódio ilustrou de forma dramática a gravidade da situação. Uma motorista de aplicativo, de 27 anos, foi presa em flagrante na capital mineira, Belo Horizonte, portando um arsenal considerável dentro de seu veículo.

No carro, a Polícia Militar encontrou três fuzis calibre 5.56, duas pistolas 9 mm, um revólver, cinco granadas e uma quantidade variada de munições de diferentes calibres. Todo o material estava armazenado dentro de malas.

A abordagem ocorreu no bairro São Paulo, localizado na Região Nordeste de Belo Horizonte. Durante o interrogatório, a mulher alegou que faria a entrega das malas a pedido de seu cunhado, como forma de quitar uma dívida pendente.

Investigadores do serviço de inteligência da Polícia Militar apuraram que o armamento seria destinado ao Comando Vermelho, com a intenção de ser utilizado em ataques contra facções rivais no aglomerado Alto Vera Cruz.

O sargento Luiz Petrus, envolvido no caso, ressaltou a excepcionalidade do poder de fogo apreendido. "É um poder de fogo muito alto, não tão comum de ser visto nas ruas de Belo Horizonte. Provavelmente [o armamento] é oriundo do mercado paralelo. São armas com numeração suprimida, ainda não conseguimos identificar a origem exata", afirmou o oficial.

Operações recentes e contexto estratégico

Este não é um caso isolado. Em dezembro, uma grande operação voltada ao combate da venda ilegal de armamentos na Região Metropolitana de Belo Horizonte resultou na prisão de 13 indivíduos e na apreensão de 28 armas. Entre os alvos estavam comerciantes e pessoas registradas como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC).

Mais recentemente, no sábado, 24 de maio, uma ação policial no Morro das Pedras, na Região Oeste da capital, levou à prisão de quatro homens e à apreensão de um adolescente. Eles estavam em posse de cinco armas de grosso calibre e uso restrito.

Especialistas apontam que a localização geográfica de Minas Gerais contribui para esse cenário. Segundo levantamento do Instituto Sou da Paz, o estado se configura como uma das principais rotas do tráfico de armas em todo o território nacional.

Malu Pinheiro, pesquisadora do instituto, defende a adoção de medidas mais robustas. "Qualificação do sistema de registro dos dados de armas, fortalecimento das perícias, capacitação das equipes que são responsáveis pelo registro de armas, fiscalizações de controle, destruições periódicas dessas armas que já estão sob o controle do estado... Tem diversas frentes para pensar para fortalecer o controle de armas no país e no estado de Minas Gerais", explicou.

Ranking nacional de apreensões em 2025

O panorama nacional de apreensão de armas em 2025, conforme os dados do Ministério, apresenta a seguinte distribuição entre os estados:

  1. Minas Gerais – 14.403
  2. São Paulo – 12.898
  3. Rio Grande do Sul – 8.842
  4. Bahia – 7.631
  5. Ceará – 7.221
  6. Pernambuco – 6.380
  7. Rio de Janeiro – 6.113
  8. Paraná – 5.517
  9. Maranhão – 3.952
  10. Paraíba – 3.832

Os números reforçam a necessidade de atenção contínua e de políticas públicas efetivas para o controle do armamento ilegal, com Minas Gerais ocupando uma posição crítica nesse contexto.