Idosa e pintor passam 12 horas em porta-malas durante sequestro do RJ a MG
Idosa e pintor ficam 12h em porta-malas em sequestro

Idosa e pintor passam 12 horas em porta-malas durante sequestro do RJ a MG

Uma idosa de 70 anos e um pintor foram resgatados na noite de sexta-feira (6), após passarem aproximadamente 12 horas confinados dentro do porta-malas de um veículo durante um sequestro que iniciou em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, e terminou em Contagem, Minas Gerais. O caso, que chocou as autoridades, envolveu uma operação conjunta de polícias e revelou detalhes angustiantes sobre o sofrimento das vítimas.

Denúncia e início das buscas

Segundo a ocorrência registrada, o filho da idosa procurou a Polícia Civil em Cabo Frio por volta das 18h30, após receber uma ligação do celular da própria mãe. Do outro lado da linha, um homem exigia dinheiro para libertá-la e enviou uma foto da vítima dentro do porta-malas como prova do sequestro. Imediatamente, equipes da Polícia Civil iniciaram buscas intensivas e acionaram setores de inteligência, além de repassar as informações para a Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Federal (PF) e forças de segurança de Minas Gerais.

Resgate em condições insalubres

Os agentes identificaram que o carro havia deixado o estado do Rio de Janeiro e seguia em direção ao território mineiro. O veículo foi localizado por policiais militares na BR-040, na região entre Contagem e Ribeirão das Neves, parado em um posto de combustível. Ao abrirem o porta-malas, os agentes encontraram as vítimas cobertas por um edredom e com objetos sobre elas, em um compartimento descrito como insalubre e sujo de urina.

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As vítimas teriam ficado sem comida, água e sem possibilidade de sair para necessidades fisiológicas durante todo o período. A idosa, que é diabética, apresentava confusão mental e desmaiou após ser retirada do local, enquanto o homem estava em estado de choque e com dificuldade para respirar, exigindo atendimento médico urgente.

Detenções e achados no veículo

Durante a revista no carro, os policiais encontraram um revólver calibre .38 com seis munições e quatro celulares, sendo dois dos suspeitos e dois das vítimas. Pouco depois da abordagem, duas adolescentes que estavam em um bar próximo começaram a chorar e chamaram a atenção dos policiais. Elas foram abordadas e admitiram que também estavam no carro com os suspeitos durante a viagem.

Ao todo, quatro pessoas foram detidas: um adulto foi preso e três adolescentes foram apreendidos, incluindo uma de 13 anos que mora em Araruama, também na Região dos Lagos. Os envolvidos foram levados para a delegacia em Ribeirão das Neves, e o carro foi apreendido para investigações mais aprofundadas.

Relatos das vítimas e ameaças durante o trajeto

Segundo relato das vítimas, o sequestro começou por volta das 9h30 em São Pedro da Aldeia. A idosa dirigia o próprio carro quando foi abordada por criminosos armados em motocicletas. Ela e o pintor que a acompanhava foram obrigados a entrar no porta-malas sob ameaça de armas. Os suspeitos teriam tirado fotos da idosa dentro do compartimento e exigido senhas de aplicativos bancários, realizando transferências durante o trajeto.

As vítimas disseram que pediram água e que o ar-condicionado fosse ligado por causa do calor intenso, mas os pedidos foram negados. Para abafar possíveis gritos, os criminosos mantiveram o som do carro em volume alto. As vítimas também relataram ameaças durante o percurso, com um dos suspeitos chegando a dizer que a idosa “já havia vivido muito”, indicando perigo iminente.

Investigações em andamento

A suspeita da polícia é que os criminosos planejavam seguir até outra cidade de Minas Gerais e que as vítimas poderiam ser mortas, mesmo com o pagamento do resgate. A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro informou que as investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e apurar se as vítimas foram escolhidas de forma aleatória ou se estavam sendo monitoradas previamente.

Este caso destaca a gravidade dos crimes de sequestro e a importância da ação rápida das forças de segurança, que evitaram um desfecho ainda mais trágico. As condições enfrentadas pelas vítimas ressaltam a crueldade dos envolvidos e a necessidade de medidas preventivas e punitivas rigorosas.

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