'Golpe do Amor': mulher perde R$ 50 mil ao acreditar que falava com James Blunt
Golpe do Amor: mulher perde R$ 50 mil com falso James Blunt

Moradora de São João da Boa Vista perdeu R$ 50 mil ao acreditar que falava com o cantor James Blunt

Uma balconista de 57 anos, residente em São João da Boa Vista (SP), foi vítima do chamado 'golpe do amor' e perdeu R$ 50 mil. Ela acreditava estar se relacionando com o cantor britânico James Blunt. Segundo informações apuradas pelo g1, a vítima conheceu o golpista pela internet e manteve conversas por aproximadamente um ano.

James Blunt, de 52 anos, é um cantor e compositor britânico que ganhou fama mundial em 2004 com o hit 'You're Beautiful'. Em 2007, emplacou outros dois sucessos: 'Same Mistake' e 'Carry You Home'. O g1 tentou contato com a equipe do artista, mas não obteve retorno.

Como o golpe foi aplicado

Em um boletim de ocorrência registrado eletronicamente em fevereiro deste ano, a vítima descreveu que o suposto James Blunt alegou ter se desentendido com o empresário, que teria bloqueado sua conta bancária. O golpista passou a pedir dinheiro à balconista para pagar contas e para vir ao Brasil. Ele solicitou valores para gasolina do carro, conserto de geladeira e para o pagamento do voo, afirmando que já tinha metade do valor e que ela ajudaria com o restante.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

A balconista afirmou que sofreu um prejuízo de R$ 50 mil com o suposto cantor. Em uma ocasião, o golpista disse que estava preso em São Paulo, e ela enviou R$ 400 para que ele pagasse um táxi até São João da Boa Vista. A vítima pediu que ele devolvesse o valor para que ela mesma pudesse contratar um taxista para buscá-lo na capital, mas o golpista recusou, o que gerou desconfiança. 'Agora estou desconfiando, eu acho que ele é um golpe do amor. Ele não é o James Blunt, todo esse tempo ele me enganou', declarou ela no boletim de ocorrência.

Investigação e desfecho

No registro on-line, a vítima afirmou possuir todos os comprovantes das transferências PIX enviadas ao golpista. Cada vez que ele pedia dinheiro, enviava uma conta bancária em nome de uma pessoa diferente, alegando que a sua estava bloqueada. No início deste mês, a balconista compareceu à Delegacia Seccional de São João da Boa Vista para prestar depoimento. Ela confirmou as denúncias e explicou que percebeu se tratar de um golpe quando, após os pagamentos, o homem nunca chegava à cidade.

A vítima solicitou fotos ao suposto cantor, e em uma delas aparecia um táxi do Rio de Janeiro, e em outra, um da Bolívia. Segundo ela, o golpista, usando imagens de James Blunt, sempre aparecia com barba feita e roupas limpas, incompatíveis com a situação descrita. Ao perceber o golpe, ela parou de responder e bloqueou os contatos do homem, que passou a usar outros números e perfis para falar com ela. A balconista trocou de número de telefone, o que fez com que perdesse parte das provas e conversas de um ano.

Apesar de ter sido vítima, a balconista manifestou o desejo de arquivar o boletim de ocorrência, não querendo prosseguir com as investigações. O caso foi registrado como estelionato e estava sob investigação do 2º Distrito Policial da cidade.

Necessidade de representação da vítima

O delegado responsável, Caio Ricardo Alves, explicou que a vítima foi chamada duas vezes na delegacia e manifestou interesse no arquivamento. 'Às vezes acontece essa questão, a pessoa tem vergonha de seguir ou não quer mais continuar com isso', disse. Por ter menos de 70 anos, é necessária a representação da vítima para que as investigações prossigam. 'No caso dela, eu necessito formalmente que ela queira representar e como ela não quer, eu aguardo, caso ela mude de ideia, não tem problema dentro do prazo decadencial [de 6 meses], para que eu continue com as investigações', afirmou o delegado.

Ele complementou: 'Aqui nós continuamos as investigações no sentido de [identificar] outros golpes conexos com esses, então os investigadores continuam com as investigações para [ver] se essa pessoa está relacionada com outros golpes.'

O delegado explicou que os golpistas se aproximam das vítimas, estabelecem uma conexão como se elas fossem a única pessoa a salvá-las. 'Eles vão conseguindo estabelecer, é como se fosse um relacionamento mesmo e é quando as vítimas acabam caindo nos golpes.' Caio orienta que vítimas em situações semelhantes ou com dúvidas procurem imediatamente a delegacia antes de realizar qualquer transferência bancária.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

A Lei Anticrime (nº 13.964/2019) trouxe mudanças no crime de estelionato, que passou a depender da representação da vítima para investigação, exceto quando a vítima for a Administração Pública, criança ou adolescente, pessoa com deficiência mental, maior de 70 anos ou incapaz.