Casos de estupro aumentam mais de 50% no oeste paulista em cinco anos
Estupros crescem 50% no oeste paulista em cinco anos

Casos de estupro aumentam mais de 50% nos últimos cinco anos no oeste paulista

O oeste paulista enfrenta um cenário alarmante de crescimento nos registros de estupro, com um aumento superior a 50% nos últimos cinco anos. Dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) revelam que, em 2025, a região de Presidente Prudente contabilizou 441 casos, representando uma alta de 52% em comparação com 2020, quando foram registrados 290 ocorrências.

Aumento expressivo em crimes contra vulneráveis

Os números se tornam ainda mais preocupantes ao analisar os crimes de estupro de vulnerável, que envolvem crianças e adolescentes. Em 2025, foram 334 registros, contra 239 em 2020, um aumento de 39,7%. No período entre 2020 e 2025, o total de estupros na região chegou a 2.246, sendo 1.776 casos direcionados a menores de idade.

O delegado Walmir Geralde, diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter-8), atribui parte desse crescimento a fatores como maior conscientização, ampliação dos canais de denúncia e aprimoramento dos registros, que antes eram subnotificados. "Decorre de fatores combinados, sem afastar a necessidade de repressão qualificada", afirmou.

Relação próxima entre vítima e autor

Geralde destacou que, especialmente nos casos de estupro de vulnerável, há uma relação próxima entre vítima e autor, frequentemente no ambiente familiar ou círculo social. "Isso historicamente contribui para a subnotificação e dificulta a revelação dos fatos", pontuou. Ele reforçou que cada registro exige resposta imediata do Estado, com atuação integrada das forças de segurança e uso de análise criminal preditiva.

Fluxo de atendimento e apoio às vítimas

Nos casos de estupro de vulnerável, as vítimas são inseridas em um fluxo integrado que prioriza acolhimento, proteção e produção de provas. Isso inclui registro especializado, atendimento de saúde, exames periciais e acionamento da rede de proteção. Unidades como as Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) oferecem tratamento humanizado e investigação orientada por evidências.

A advogada Renata de Vito, da Comissão das Mulheres Advogadas da OAB de Presidente Prudente, alertou para os registros nacionais. Segundo estudo do Ipea de 2023, o Brasil tem uma estimativa de 822 mil casos de estupro por ano, mas apenas 8,5% chegam à polícia. Ela também destacou o avanço das penalidades com a Lei nº 15.280/2025, que aumentou as penas para crimes sexuais.

Queda em outros indicadores criminais

Apesar do aumento nos estupros, a região apresentou redução em outros crimes em 2025, conforme dados do Comando de Policiamento do Interior 8 (CPI-8):

  • Homicídio doloso: redução de 25,8%
  • Furto: redução de 9,8%
  • Roubo: redução de 30,4%
  • Furto de veículo: redução de 9,2%
  • Roubo de veículo: redução de 30,4%

Geralde atribuiu esses resultados a um trabalho sistêmico e integrado entre polícias, Ministério Público e Poder Judiciário.

Onde denunciar e sinais de alerta

Para combater a violência sexual, é fundamental denunciar pelos canais disponíveis:

  1. 190: Polícia Militar (emergências)
  2. 180: Central de Atendimento à Mulher (nacional, gratuito e anônimo)
  3. 100: Direitos Humanos (foco em crianças e adolescentes)
  4. Delegacias Especializadas (DEAM)

Renata de Vito listou sinais que podem indicar violência sexual contra crianças e adolescentes, como alterações comportamentais (infantilização, medos infundados) e físicas (dores recorrentes). "Tenha empatia e tente conversar com a criança", reforçou.