Defesa de Deolane Bezerra pede prisão domiciliar após operação contra o PCC
A defesa da influenciadora e advogada Deolane Bezerra solicitou prisão domiciliar durante a audiência de custódia realizada após sua prisão na quinta-feira (21). Os advogados argumentaram que ela é mãe de uma criança de 9 anos e que os fatos investigados ocorreram em 2020. “A prisão hoje é ilegal em razão de que ela é mãe de uma criança de 9 anos”, afirmou uma das advogadas durante a audiência. Segundo a defesa, a investigação não envolve crimes com violência ou grave ameaça, e por isso a prisão preventiva seria “exacerbada”.
Deolane foi presa durante a Operação Vérnix, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil, que apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A influenciadora e advogada chegou ao DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa) na região central de São Paulo na quinta-feira (21). A operação prendeu Deolane sob suspeita de ligações com o PCC, que teria estruturado o esquema por meio de uma transportadora de valores do interior de São Paulo controlada pela facção.
O pedido da defesa baseia-se em um entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2018, que determinou a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar para mulheres grávidas ou mães de crianças de até 12 anos em casos sem violência ou grave ameaça. Deolane foi transferida na sexta-feira (22) para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, que, com capacidade para 714 detentas, atualmente abriga 873 presas, em situação de superlotação.
Investigação começou com bilhetes do PCC
A Operação Vérnix teve início há sete anos, após agentes penitenciários encontrarem bilhetes manuscritos escondidos em celas e na caixa de esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista. O material continha ordens internas do PCC, contatos de integrantes e referências a ações violentas contra servidores públicos. A partir desses documentos, foram abertos três inquéritos que mapearam a estrutura financeira da organização criminosa, levando a uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau, usada como empresa de fachada para movimentar dinheiro da facção.
Esquema de lavagem de dinheiro
Segundo o MP-SP e a Polícia Civil, a transportadora fazia repasses para contas de terceiros para ocultar a origem do dinheiro do PCC. Duas dessas contas estariam em nome de Deolane. A investigação aponta que parte das movimentações ocorria por meio de depósitos fracionados em espécie, saindo do caixa da facção e passando pela transportadora antes de chegar às contas ligadas à influenciadora. Os investigadores afirmam que o esquema envolvia uma rede complexa de movimentações entre contas de pessoas físicas e jurídicas, numa etapa conhecida como “dissimulação”, usada para afastar o dinheiro de sua origem criminosa. O delegado Edmar Caparroz afirmou que o PCC utilizava a projeção pública e o patrimônio de Deolane para dar aparência de legalidade aos recursos ilícitos: “O crime organizado deposita os valores nessa figura pública, esse dinheiro acaba se misturando com o dinheiro de outras atividades, e quando precisa esses recursos retornam para o crime organizado”.
Ligação com Marcola
A Polícia Civil afirma que o principal elo entre Deolane e Marcola, líder do PCC, é Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do chefe da facção, que mora em Madri, na Espanha. Deolane também manteria vínculos pessoais e comerciais com um dos gestores fantasmas da transportadora usada no esquema. Além de Marcola e Paloma, foram alvos da operação Everton de Souza (conhecido como “Player”), apontado como operador financeiro da facção; Alejandro Camacho, irmão de Marcola; e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho do líder do PCC.
Prisão preventiva e risco de fuga
A Justiça decretou a prisão preventiva de Deolane após apontar risco de fuga. Ela havia retornado ao Brasil na véspera da operação após passar semanas na Europa. Investigadores destacaram que integrantes da família de Marcola deixaram o país durante as investigações — uma sobrinha foi para a Espanha e um sobrinho fugiu para a Bolívia. O nome de Deolane foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo usado para alertar autoridades internacionais sobre procurados.
Outras investigações contra Deolane
Esta é a segunda prisão de Deolane em menos de dois anos. Em 2025, ela foi alvo de uma investigação da Polícia Civil de Pernambuco sobre lavagem de dinheiro relacionada a empresas de apostas online, na qual teria investido mais de R$ 65 milhões em carros e imóveis de luxo com recursos do setor de bets.
Relatório da polícia
Em trecho do inquérito obtido pela TV Globo, a Polícia Civil classifica Deolane como integrante do PCC, com papel “central” na estrutura financeira da facção. O documento afirma: “Deolane Bezerra dos Santos é hoje uma das mais importantes pessoas integrantes do vasto e diferenciado esquema de lavagem de capitais gerido pela organização criminosa.” Apesar disso, a investigação diz que ela não teria sido “batizada” formalmente na facção e não possuiria apelido dentro do PCC.
Quem é Deolane Bezerra
Deolane Bezerra ganhou projeção nacional após a morte do marido, o funkeiro MC Kevin, em 2021. Desde então, ampliou sua presença nas redes sociais, participou de programas de TV e investiu em publicidade digital e apostas online. Acumula mais de 21 milhões de seguidores no Instagram e costuma publicar conteúdos ostentando carros de luxo, viagens e mansões em Alphaville. O filho adotivo da influenciadora, Giliard Vidal dos Santos, conhecido como “Chefinho”, também foi alvo de busca e apreensão na operação, por aparecer frequentemente ostentando carros, joias, helicópteros e viagens internacionais nas redes sociais.



