O corpo de Milce Daniel Pessoa, idosa de 72 anos encontrada morta em uma área de mata em Bayeux, na Grande João Pessoa, foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) na sexta-feira (8). A liberação ocorreu após exames que não identificaram sinais de violência no corpo, conforme informou o diretor do IML, Flávio Fabres.
Família questiona circunstâncias
A filha da vítima, Suênia Pessoa, declarou em entrevista à TV Cabo Branco que não acredita que a idosa tenha chegado sozinha ao local onde foi encontrada. "Até para ela chegar ao local, pela questão da idade dela e dificuldade de andar, ela não teria como chegar até ali sozinha", afirmou. Suênia ainda espera respostas sobre o deslocamento da mãe: "O percurso que foi feito, como que ela teria chegado nesse local onde foi encontrada, porque todo mundo que acompanhou viu que não é um local de fácil acesso". Ela também ressaltou que Milce era lúcida e descartou a hipótese de confusão mental.
Resultados dos exames
Flávio Fabres explicou que os exames também deram negativo para violência sexual e para substâncias tóxicas que poderiam ter causado a morte. No entanto, a causa da morte ainda não foi determinada, e os exames específicos estão em andamento, com prazo legal de 10 dias, podendo ser prorrogado. "O corpo estava em avançado estado de decomposição, tanto a perícia criminal no local quanto a autópsia não evidenciaram sinais de violência", disse o diretor. Ele acrescentou que, embora os exames ajudem na investigação, não descartam totalmente a possibilidade de abuso, pois a violência sexual pode não deixar marcas físicas.
Perícia no local
A perícia na área de mata onde o corpo foi encontrado não identificou alterações que indicassem modificação na cena. O IML aguarda ainda o resultado do exame de DNA de material coletado no carro de Willis Cosmo, última pessoa que viu a idosa viva, quando ambos saíram para uma consulta no Hospital Metropolitano.
Idosa pode ter chegado viva ao local
O perito Aldenir Lins, do Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB), afirmou que Milce pode ter chegado com vida ao local. "Possivelmente, pelas condições que a gente viu, ela veio com vida até o local, tendo em vista que a sandália estava com ela, sandália de dedo, que seria muito fácil de ser perdida no local, as condições das vestes também, posição do corpo no local", disse. Uma peça íntima foi encontrada próxima ao corpo, mas o perito não relacionou o fato a abuso sexual: "Não é possível afirmar se ela tirou por necessidade fisiológica ou se tentava atravessar o rio, mas não podemos fazer correlação com crime sexual".
Amigo ouvido e liberado
Willis Cosmo, amigo da vítima, foi ouvido pela polícia e liberado. O delegado Douglas García afirmou que ele não é considerado suspeito, mas é colaborativo. "O senhor Willis não é investigado ainda, não figura como investigado e está sendo colaborativo com a polícia. Somente com as provas técnicas vamos direcionar nossa investigação", explicou. Devido à repercussão, a polícia escolta Willis para evitar retaliações. "Diversas pessoas são de interesse da investigação, mas não apontamos ninguém como principal suspeito", disse o delegado.
Divergências em depoimentos
Antes do corpo ser encontrado, a polícia apontou divergências nos depoimentos de Willis, especialmente sobre horários. Segundo o delegado, o trajeto do hospital até a área de mata não levaria mais de 15 minutos, mas Willis afirmou ter chegado por volta das 13h, o que causou estranhamento. "Em todas as vezes que o trajeto foi feito, não seria possível chegar ali por volta das 13h", ressaltou.
Desaparecimento
Milce desapareceu em 22 de abril após acompanhar Willis a uma consulta médica. O amigo disse que foram colher mangas, e ao se abaixar para pegar uma fruta, não viu mais a idosa. As buscas envolveram Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e cães farejadores. Perícias na casa e no carro de Willis encontraram fios de cabelo e um pedaço de tecido, que estão sendo analisados. O delegado não informou se Willis é suspeito.



