Buscas por irmãos desaparecidos no Maranhão completam dois meses sem pistas
Buscas por irmãos no MA completam dois meses sem pistas

Buscas por irmãos desaparecidos no Maranhão completam dois meses sem pistas

As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelle e Alan Michael, desaparecidos desde 4 de janeiro no povoado São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA), completam dois meses sem novas pistas sobre o paradeiro das crianças. Segundo o Corpo de Bombeiros do Maranhão, as estratégias de busca foram alteradas significativamente, com a corporação realizando agora varreduras terrestres e aquáticas apenas quando existem indícios concretos que possam indicar a localização dos menores.

Operações intensificadas sem resultados

Desde o desaparecimento, as autoridades intensificaram as buscas de forma considerável, utilizando diversos recursos tecnológicos e humanos. Cães farejadores, drones, helicópteros e cerca de 2.000 pessoas, incluindo bombeiros, policiais militares, delegados e investigadores, participaram das operações coordenadas por terra e água. Apesar deste esforço massivo, o paradeiro de Ágatha, de 6 anos, e Alan, de 4 anos, permanece completamente desconhecido.

A avó materna das crianças, Francisca Cardoso, relatou ao g1 os momentos que antecederam o desaparecimento: "Eu senti falta deles. Eles estavam brincando e depois desceram para a casa da vizinha, onde sumiram". As crianças foram vistas pela última vez brincando com um primo próximo à residência da avó, no pequeno povoado maranhense.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Primo encontrado após três dias na mata

Um desenvolvimento importante no caso ocorreu no dia 7 de janeiro, quando Anderson Kauã, primo das crianças desaparecidas, foi encontrado por trabalhadores rurais no meio do mato, a aproximadamente 5 quilômetros do povoado. O menino de 8 anos estava desidratado e precisou ficar internado por 15 dias antes de receber alta médica.

Após sua recuperação, Anderson foi levado ao local onde esteve com os primos pela última vez. Cães farejadores conseguiram rastrear o cheiro das três crianças até a beira do rio Mearim, o que levou a polícia a investigar seriamente a possibilidade de um rapto seguido de transporte fluvial. As buscas chegaram a ser concentradas do outro lado do rio, em busca de possíveis pistas, mas sem qualquer resultado positivo até o momento atual.

Investigação policial em andamento

O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil do Maranhão (PC-MA), que mantém as diligências em curso sem a conclusão do inquérito. O delegado-geral adjunto operacional da Polícia Civil, Ederson Martins, integrante da força-tarefa que atua no caso, afirmou em entrevista que a investigação continua em andamento e que ainda não há conclusões definitivas.

Uma comissão especial criada pela Polícia Civil, formada por dois delegados de São Luís e uma delegada de Bacabal, conduz o inquérito que já ultrapassa 200 páginas. Diversas diligências foram realizadas ao longo deste período, incluindo reconstruções detalhadas e análises técnicas minuciosas. A Polícia Civil está reunindo relatórios de todas as forças que atuaram nas buscas, incluindo documentação repassada pelo Corpo de Bombeiros, Marinha e Exército.

Relato do primo e pistas importantes

Com autorização judicial, o primo Anderson Kauã participou ativamente das buscas e contou como o grupo se perdeu. Suas informações foram cruciais para reconstruir o trajeto percorrido pelas crianças. Segundo seu relato, eles saíram para buscar maracujá perto da casa do pai dele e, para não serem vistos por um tio, decidiram entrar por outro caminho da mata.

O menino descreveu com precisão uma "casa caída" abandonada no trajeto, com uma cadeira velha, botas velhas e um colchão velho. As investigações posteriores e o rastreio dos cães confirmaram completamente esta informação. Mauricio Martins, secretário de Estado de Segurança do Maranhão, afirmou: "Os cães farejadores sentiram o cheiro dessas três crianças, inclusive da forma como o próprio Kauã descreveu".

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Anderson contou que ele e os primos chegaram a se abrigar ao pé de uma árvore próxima à casa abandonada. Foi neste local que teria acontecido a separação: Anderson Kauã seguiu por um lado da choupana, enquanto Ágatha e Alan tomaram direção oposta.

Protocolo Amber Alert ativado

A força-tarefa adotou também o protocolo Amber Alert, um alerta internacional utilizado em casos de desaparecimento de crianças. Este sistema emite alertas emergenciais através de plataformas da Meta, como Facebook e Instagram, divulgando informações e imagens das vítimas em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento.

O alerta é ativado através do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e permanece ativo no feed de usuários da região. As notificações incluem dados como nome, características físicas detalhadas e contato para envio de informações relevantes. Segundo o MJSP, o protocolo é utilizado de forma excepcional, apenas quando existem indícios concretos de que a criança ou adolescente esteja em risco iminente de morte ou de lesão corporal grave.

Completados dois meses desde o desaparecimento, a comunidade de Bacabal e as famílias das crianças aguardam ansiosamente por qualquer informação que possa levar ao paradeiro de Ágatha Isabelle e Alan Michael. As buscas continuam, embora com estratégias modificadas, enquanto a investigação policial avança página por página em direção a respostas que ainda não surgiram.