Buscas por irmãos desaparecidos no Maranhão completam 26 dias sem novos indícios
As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, completaram 26 dias nesta quinta-feira, 29 de fevereiro, sem qualquer vestígio concreto sobre o paradeiro das crianças. A operação, que mobiliza diversas forças de segurança, continua concentrada na zona rural de Bacabal, no Maranhão, local onde os menores foram vistos pela última vez no dia 4 de janeiro.
Força-tarefa atua em áreas de difícil acesso com tecnologia e cães farejadores
Imagens recentes mostram a força-tarefa atuando intensamente em áreas de mata fechada, lagos e na margem do Rio Mearim. Cães farejadores, guiados por soldados do Exército Brasileiro, percorrem a região e sinalizam possíveis rastros, enquanto drones são utilizados para monitorar locais de acesso complicado, proporcionando uma visão ampla da vegetação densa.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, as buscas envolvem um amplo contingente, incluindo:
- Investigadores da Polícia Civil
- Agentes da Força Estadual Integrada de Segurança Pública
- Equipes do Centro Tático Aéreo
- Batalhão de Choque da Polícia Militar
- Exército Brasileiro
- Corpo de Bombeiros Militar
O grupo também conta com o apoio essencial de cães farejadores da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, que já identificaram um cheiro compatível com o dos irmãos em determinada área.
Investigação policial mantém foco na hipótese de desaparecimento na mata
O delegado-geral adjunto operacional da Polícia Civil, Ederson Martins, afirmou que enquanto não houver mais indícios, todas as possibilidades permanecem abertas. No entanto, a principal linha de investigação aponta que as crianças podem ter se perdido na mata, baseando-se no relato de um primo de 8 anos que também esteve desaparecido por três dias.
Segundo o testemunho do menino, o grupo saiu para buscar maracujá e decidiu entrar por um caminho alternativo na mata para evitar ser visto por um tio. Eles teriam chegado a um local conhecido como casa caída, situado a aproximadamente 3,5 km em linha reta da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, mas a distância percorrida, considerando obstáculos naturais, pode ter chegado a 12 km. A partir desse ponto, as crianças se perderam.
Desmentidos e alertas contra informações falsas
Autoridades desmentiram rumores circulantes nas redes sociais, como a alegação de que R$ 35 mil teriam sido encontrados em uma conta ligada à mãe das crianças ou que ela e o companheiro teriam sido indiciados. O delegado Ederson Martins alertou que informações falsas estão colocando em risco a vida dos familiares, reiterando que a mãe e o padrasto não são foco da investigação, pois não há evidências de crimes praticados por eles.
Além disso, a Polícia Civil de São Paulo descartou a hipótese de que Ágatha e Allan teriam sido vistos em um hotel no Centro da capital paulista. Equipes foram ao local indicado por uma denúncia e constataram que as crianças encontradas não eram os irmãos desaparecidos.
Protocolo Amber Alert ativado e esforços de varredura
A força-tarefa adotou o protocolo Amber Alert, um sistema internacional de alerta para desaparecimento de crianças, ativado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O mecanismo divulga informações e imagens das vítimas em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento, utilizando plataformas como Facebook e Instagram.
Nos primeiros 20 dias de buscas, as equipes percorreram mais de 200 quilômetros em operações por terra e água, incluindo áreas de mata fechada. A Marinha realizou varreduras ao longo de 19 quilômetros do Rio Mearim, com cinco quilômetros vasculhados minuciosamente, inclusive com buscas subaquáticas e uso de equipamento side scan sonar para mapear áreas submersas. Nenhum vestígio foi encontrado.
Desde a última sexta-feira, 23 de fevereiro, as buscas entraram em uma nova etapa, mais direcionada e focada na investigação policial, após a conclusão da varredura completa das áreas inicialmente mapeadas. Mais de mil pessoas, entre agentes de segurança e voluntários, participaram das ações, que permanecem em prontidão para retomada caso novos indícios surjam.
A força-tarefa segue concentrada na base instalada no quilombo São Sebastião dos Pretos, onde as crianças moravam. Uma comissão especial da Polícia Civil conduz o inquérito, que já ultrapassa 200 páginas, com o objetivo de localizar Ágatha e Allan e esclarecer completamente o caso.