O idoso de 70 anos que foi preso ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Salvador foi solto após audiência de custódia realizada na quarta-feira (6). Ele é avô das três crianças que morreram carbonizadas em um incêndio em Serrinha, no interior da Bahia. A decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) considerou que não havia mais necessidade de prisão preventiva.
Detalhes da prisão e soltura
O homem havia sido preso na segunda-feira (4) pela Coordenação de Polícia Interestadual (Polinter) ao chegar em Salvador vindo do Rio Grande do Sul. Contra ele existia um mandado de prisão preventiva por homicídio e duas tentativas de homicídio ocorridos em 1998, na capital baiana. Segundo as investigações da época, o idoso e outros homens são suspeitos de matar uma pessoa a facadas em 11 de outubro de 1998.
Durante a audiência de custódia, a defesa alegou que o idoso possui problemas de saúde, residência fixa em Conceição do Coité e enfrenta forte abalo emocional após perder recentemente a mãe e os três netos. Apesar da soltura, ele terá que cumprir medidas cautelares, como não se ausentar de Conceição do Coité por mais de 30 dias sem autorização judicial, manter endereço e telefone atualizados e comparecer sempre que for convocado pela Justiça.
Relembre o caso das crianças
O incêndio que vitimou as crianças ocorreu no domingo (3). Segundo a Polícia Civil, o fogo começou após uma das crianças atear fogo em um colchão enquanto brincava com um isqueiro dentro da residência. As vítimas foram identificadas como Jeremias de Jesus Borges, de 6 anos; Samuel Nascimento de Almeida, de 4 anos; e Ismael Nascimento de Jesus Borges, de 11 meses.
Uma menina de 7 anos, também irmã das vítimas, tentou salvar os outros irmãos, mas não conseguiu. Ela saiu da casa pedindo socorro e foi levada para uma unidade de saúde com ferimentos leves. O incêndio destruiu parte do imóvel antes da chegada das equipes de socorro.
Mãe das crianças presa
A mãe das crianças relatou que havia saído de casa na noite de sábado (2) para participar de uma festa e retornou apenas na manhã de domingo, após o incêndio. Ela foi presa ao chegar ao local da tragédia e, na segunda-feira (4), teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. A mulher foi transferida para o Conjunto Penal de Feira de Santana na quarta-feira (6).
Histórico de acompanhamento familiar
O Conselho Tutelar informou que as crianças já haviam sido acolhidas institucionalmente em dezembro de 2025, após o Ministério Público apontar uma possível situação de violação de direitos, relacionada a condições precárias de higiene e saúde. Os menores permaneceram acolhidos por cerca de 30 dias, mas foram devolvidos à família após avaliação técnica indicar que não havia negligência intencional, e sim necessidade de orientação. Após o retorno, a família passou a ser acompanhada por serviços de assistência social e posteriormente informou que havia retornado para Serrinha, na Bahia.



