A primeira audiência de instrução do caso de Ailton Nascimento, apontado pela Polícia Civil como mandante da morte do casal de idosos Nelson e Célia Honorato e da tentativa de assassinato do filho deles, ocorreu na terça-feira (19) na 1ª Vara Cível da Comarca de Sapé. Durante a sessão, que durou das 9h às 16h, foram ouvidas 25 testemunhas, incluindo algumas de acusação. O réu ainda não foi interrogado.
Audiência interrompida e remarcada
A juíza responsável pelo caso interrompeu a audiência e a remarcou para a quarta-feira (27). A expectativa é que mais 11 testemunhas sejam ouvidas antes da sentença. Enquanto aguardam a segunda sessão, Ailton Nascimento e os outros três réus foram encaminhados de volta ao presídio onde já estavam detidos, também localizado em Sapé.
Relembre o crime
Segundo a Polícia Civil, Ailton se apresentava como corretor de imóveis e conquistou a confiança do casal, que tentava vender a casa em Sapé para se mudar para João Pessoa. A motivação do crime seria ficar com o imóvel. A polícia já prendeu outros cinco suspeitos por envolvimento no crime. O mais recente foi um homem de 50 anos, preso em outubro de 2025 no bairro Oitizeiro, em João Pessoa, que teria participado da execução de Célia Honorato.
Detalhes do assassinato
No dia do crime, Ailton chegou à residência acompanhado de Nicolas Jefferson, de 19 anos, suspeito de executar a morte dos idosos, apresentado como interessado em alugar uma casa nos fundos do terreno. Durante a visita, Nelson Honorato foi atingido com golpes de martelo e morreu no local. Célia Honorato foi morta depois, pois não estava em casa no momento do assassinato do marido. Segundo a polícia, ela foi chamada aos fundos da residência e atacada pelos envolvidos. O filho do casal, um jovem autista de 27 anos, ficou trancado em um quarto e sofreu uma tentativa de homicídio dias depois, mas sobreviveu.
Confirmação dos corpos
Em 29 de setembro de 2025, o Instituto de Polícia Científica (IPC) confirmou que dois corpos encontrados em uma área de mata em Sapé são dos idosos desaparecidos. De acordo com a Polícia Civil, Célia e Nelson Honorato desapareceram em 18 de agosto. O delegado Márcio Pereira informou que nesse dia ocorreu o assassinato de ambos. Após a morte, Ailton e Nicolas levaram os corpos para uma área de mata, onde foram enterrados, enrolados em cobertores.
Motivação e execução
O casal estava tentando vender a casa e se mudar para João Pessoa. Ailton se apresentava como corretor de imóveis e conquistou a confiança deles, alegando que estava procurando compradores. A motivação do crime, segundo a polícia, seria ficar com a casa. No dia 18 de agosto, Ailton chegou com Nicolas Jefferson e o identificou como alguém interessado em alugar uma casa nos fundos do imóvel. Ao receber a visita, Nelson Honorato levou ambos para vistoriar o imóvel. Nesse momento, Nicolas desferiu um golpe com um martelo na cabeça do idoso, mas não conseguiu concluir. Então, Ailton Emanuel teria terminado a execução, atingindo o idoso com pelo menos 10 golpes de martelo. Posteriormente, Célia, que não estava em casa durante a morte do marido, pois realizava uma consulta de saúde, foi também assassinada. Ailton disse que o marido dela estava com um potencial inquilino e pediu que ela fosse aos fundos da casa. Ao chegar lá, Nicolas também desferiu marteladas na cabeça da idosa, que morreu. Durante a execução, o filho das vítimas foi trancado no quarto pelos suspeitos.
Tentativa de assassinato do filho
Durante o assassinato dos pais, o filho de 27 anos ficou preso em um dos quartos do imóvel que Ailton tentava vender. No dia 22 de agosto, o jovem, que também é autista, disse que foi informado pelo falso corretor de que seria levado até o hospital para visitar os pais, que estariam doentes. No entanto, foi deixado em uma área de mata onde foi agredido com marteladas e chegou a fingir que estava desacordado para que o agressor parasse de golpeá-lo. Enquanto a Polícia Militar realizava uma ronda pela região, o jovem foi encontrado ensanguentado. Um outro homem, de 25 anos, que também está preso, confessou ter sido o autor da tentativa de homicídio e disse que foi contratado pelo suposto corretor de imóveis para matar o filho do casal desaparecido.
Prisão do falso corretor
No dia 26 de agosto, Ailton Nascimento foi preso dentro de um ônibus em Jaguaquara, no interior da Bahia, na BR-116, com destino a Vitória da Conquista. A PRF encaminhou o suspeito para a delegacia da Polícia Civil na cidade, onde passou por audiência de custódia e teve a prisão mantida. Dias depois, foi transferido para a Paraíba, onde está preso. Uma equipe de policiais de Sapé foi responsável pela transferência. O homem também é alvo do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis da Paraíba (Creci-PB) pela suspeita de exercer irregularmente a profissão de corretor de imóveis. Em nota, o Creci-PB afirmou que uma equipe de fiscalização foi enviada ao município e, após consulta aos sistemas internos do Conselho, foi confirmado que o investigado não possui registro profissional. Ainda segundo o Creci, as medidas legais cabíveis serão adotadas junto às autoridades competentes, com o objetivo de resguardar a sociedade e proteger a profissão.
Casa dos idosos foi vendida
Depois da morte dos idosos, Ailton Emanuel chegou a vender a casa. Ele fez com que os idosos assinassem uma procuração lhe autorizando a negociar o imóvel. A pessoa que comprou visitou o imóvel e, sobre o filho do casal, foi informada de que os pais voltariam dias depois para buscar o jovem. O prazo final para a entrega das chaves era no dia 22 de agosto de 2025, quando o filho dos idosos foi vítima de uma tentativa de homicídio.



