Adolescente de 15 anos morre esfaqueado por avô de colega após briga de futebol em SP
Adolescente morto a facadas por avô de colega após briga em SP

Adolescente de 15 anos morre esfaqueado por avô de colega após briga de futebol em SP

A cidade de São Paulo foi palco de mais um trágico episódio de violência envolvendo jovens. Davi da Silva Roberto, um adolescente de apenas 15 anos, perdeu a vida após ser esfaqueado pelo avô de outro jovem durante uma briga que começou após uma partida de futebol no Itaim Paulista, Zona Leste da capital paulista. O caso ocorreu na terça-feira (24), mas a morte do jovem foi confirmada apenas na sexta-feira (27), após dias de luta pela vida no Hospital Santa Marcelina de Itaquera.

Confusão após jogo escolar termina em tragédia

Tudo começou quando um grupo de meninos participava de uma partida de futebol na Escola Estadual Marcelo Tulman Neto, localizada no Jardim Miragaia. Ao término da atividade, já do lado de fora da unidade de ensino, os jovens começaram a se empurrar e discutir por causa do jogo. A confusão se estendeu por algumas quadras acima da escola, tomando proporções alarmantes.

Durante o tumulto, segundo relatos de familiares, um dos adolescentes identificado como Luiz Henrique, de 16 anos, teria arremessado uma pedra contra Lucas, de 20 anos, que foi atingido na cabeça. Ao presenciar a briga, Davi entrou no meio na tentativa de apartar os envolvidos, atitude que lhe custaria a vida.

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Intervenção familiar termina em crime fatal

Foi nesse momento que o avô de Luiz Henrique interveio na situação de forma violenta. De acordo com testemunhas, o homem esfaqueou Davi na região abdominal enquanto o adolescente estava no chão. A facada foi tão profunda que, mesmo após ser socorrido e passar por cirurgia, o jovem não resistiu aos ferimentos.

O mesmo agressor também atingiu a mão de Lucas com a faca, lesionando um tendão e fazendo com que o jovem perdesse o movimento de um dos dedos. Lucas ainda levou cerca de 30 pontos na cabeça em razão da pedrada inicial.

Fuga do suspeito durante intervenção policial

Um dos aspectos mais chocantes do caso foi a fuga do suspeito durante a própria intervenção policial. Segundo o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada por moradores para atender a uma briga generalizada na Rua Erva Cigana, nas imediações da escola.

Ao chegarem ao local, os policiais encontraram aglomeração e tumulto, com pessoas envolvidas ou próximas à confusão. A equipe interveio para separar os envolvidos, dispersar os presentes e cessar as agressões, mas durante essa ação não foi possível identificar o autor do ataque com faca, que acabou escapando.

Testemunhas relatam que um grupo de jovens conseguiu conter temporariamente o agressor, mas quando a Polícia Militar chegou e começou a separar os envolvidos para entender a situação, o homem aproveitou a confusão para fugir. Em vídeo obtido pela imprensa, é possível ver o suspeito escondendo um objeto embaixo de uma sacola de lixo na calçada antes de ser cercado por jovens que tentavam agredi-lo.

Investigações em andamento

Inicialmente registrado como lesão corporal, o caso teve sua tipificação penal alterada após a morte da vítima. A Polícia Civil informou que a investigação continua sob responsabilidade do 59º Distrito Policial, com diligências em andamento para localizar o autor do crime.

O suspeito de esfaquear o jovem, identificado apenas como avô de Luiz Henrique, não havia sido localizado até o fechamento desta reportagem. Luiz Henrique, o adolescente que teria iniciado a confusão com a pedrada, também fugiu e permanece foragido.

Reações institucionais

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo emitiu nota lamentando profundamente o falecimento do estudante e se solidarizando com toda a família e equipe escolar. A pasta informou que psicólogos foram designados para prestar acolhimento e apoio à comunidade afetada pela tragédia.

"A Seduc-SP reforça que repudia qualquer forma de violência ou agressão, dentro ou fora do ambiente escolar", destacou o comunicado, acrescentando que em todas as situações relacionadas a conflitos no ambiente escolar, a direção aciona os responsáveis pelos estudantes envolvidos para mediação, podendo também envolver órgãos de segurança como a Polícia Militar e o Conselho Tutelar.

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A Secretaria da Segurança Pública, por sua vez, afirmou que o caso está sendo investigado e que as diligências continuam para localizar o autor do crime e esclarecer totalmente os fatos que levaram à morte do adolescente.

Esta tragédia expõe mais uma vez a vulnerabilidade dos jovens em contextos de violência urbana e levanta questões sobre a eficácia das intervenções em situações de conflito, especialmente quando envolvem múltiplos atores e dinâmicas familiares complexas.