Acre registra mais de 500 estupros em 2025 com pico nas férias de verão
O estado do Acre contabilizou mais de 500 casos de estupro no ano de 2025, segundo levantamento do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Os números revelam uma média de pouco mais de uma vítima por dia, com a maioria sendo mulheres.
Dados detalhados dos crimes sexuais
Do total de registros, 452 casos foram classificados como estupro de vulnerável, enquanto 120 envolveram vítimas não vulneráveis. Isso resulta em um total de 572 ocorrências de crimes de relação sexual não consensual no período.
Estupro de vulnerável é um crime previsto no Código Penal Brasileiro e consiste na prática sexual com pessoas incapazes de consentir validamente, como crianças e pessoas com deficiência (PCDs).
Em comparação com 2024, quando o estado registrou 560 casos, houve uma redução de 19,2% nos números gerais. Naquele ano, a média era de duas ocorrências por dia.
Distribuição mensal e pico nas férias
Os dados mensais mostram que o pico das ocorrências de estupro de vulnerável ocorreu durante as férias de verão, nos meses de junho e julho. Junho registrou 47 casos, enquanto julho teve 45. As menores taxas coincidiram com períodos pós-férias escolares, como fevereiro, março e setembro.
Já os estupros de vítimas não vulneráveis apresentaram uma redução mais acentuada de 42,8% em relação a 2024, ano em que foram contabilizados 210 casos.
Perfil das vítimas e cidades com mais registros
Em relação ao gênero das vítimas, as mulheres representam a grande maioria, com 427 ocorrências. Os homens aparecem com 24 registros, e um caso não teve o gênero informado.
Dados do Observatório de Análise Criminal do Ministério Público Estadual (MP-AC) indicam que, entre janeiro e julho de 2025, crianças, adolescentes e outras pessoas em situação vulnerável correspondiam a 80% das vítimas de estupro de vulnerável.
Um levantamento realizado em setembro de 2025 apontou que a capital Rio Branco lidera o ranking deste tipo de crime, com 250 registros. Cruzeiro do Sul aparece em segundo lugar, com 106 casos, e Tarauacá em terceiro, com 41 ocorrências.
Como denunciar casos de violência
É fundamental que a população saiba como agir em situações de violência, especialmente contra crianças e adolescentes. Confira os principais canais de denúncia:
- Polícia Militar - 190: para situações de risco imediato.
- Samu - 192: para pedidos de socorro urgentes.
- Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou mulheres, ou qualquer delegacia de polícia.
- Disque 100: recebe denúncias anônimas de violações de direitos humanos.
- Profissionais de saúde, como médicos e psicólogos, devem fazer notificação compulsória em casos de suspeita, encaminhando aos conselhos tutelares e polícia.
- WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656-5008.
- Ministério Público.
- Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras) também está disponível para denúncias.
A conscientização e a rápida ação são essenciais para combater a violência sexual e proteger os mais vulneráveis na sociedade acreana.