Acre registra 145 desaparecimentos de crianças e adolescentes em 2025, com aumento de 19%
Acre: 145 crianças e adolescentes desaparecidos em 2025

Acre enfrenta aumento alarmante de desaparecimentos de crianças e adolescentes em 2025

Um levantamento nacional exclusivo, baseado em dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) do Ministério da Justiça, revelou que o Acre registrou 145 desaparecimentos de crianças e adolescentes em 2025. Esse número representa um aumento significativo de aproximadamente 19% em relação a 2024, quando 122 menores de 18 anos foram declarados desaparecidos no estado. Com essa taxa, o Acre ocupa a sétima posição no ranking nacional de desaparecimentos a cada 100 mil habitantes nessa faixa etária, com 13,1 casos, destacando um grave problema de segurança pública na região.

Distribuição por gênero e períodos críticos

Dos 145 casos registrados em 2025, a maioria envolve meninas, com 89 desaparecimentos, enquanto 49 são meninos e sete não tiveram o gênero informado. O mês de julho foi o mais crítico, com 21 registros, seguido de outubro, com 20 desaparecimentos. Em contraste, janeiro apresentou o menor número, com apenas três casos, indicando possíveis variações sazonais ou fatores sociais que merecem investigação mais aprofundada.

Contexto nacional e impacto no Acre

Em todo o Brasil, foram registrados 23.919 desaparecimentos de crianças e adolescentes em 2025, resultando em uma média de 60 casos por dia. No Acre, esse grupo representou 35% do total de desaparecidos no ano passado, com 413 casos no geral, um leve aumento de 0,24% em relação a 2024. Esses dados reforçam a urgência de políticas públicas mais eficazes, como a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas (Lei 13.812/2019), que define pessoa desaparecida como "todo ser humano cujo paradeiro é desconhecido, independentemente da causa".

Caso emblemático: o desaparecimento de Cristina Maria

Um dos casos mais trágicos e emblemáticos no Acre é o da bebê Cristina Maria, que tinha apenas três meses quando desapareceu em março do ano passado. Sua mãe, Yara Paulino da Silva, de 28 anos, foi brutalmente assassinada no Conjunto Habitacional Cidade do Povo, em Rio Branco, após ser falsamente acusada do sumiço da criança. Yara foi espancada até a morte em via pública devido a um boato de que havia matado a filha, mas o Instituto Médico Legal (IML) constatou que ossadas encontradas eram de um animal.

Cristina Maria, que testemunhou o crime junto com outros dois filhos de Yara, continua desaparecida e foi incluída no sistema Amber Alert, que compartilha informações sobre crianças desaparecidas por meio de alertas em redes sociais. A polícia investiga a possibilidade de doação ilegal pelos pais, já que a bebê não possui registro de nascimento – o serviço foi negado em cartório devido a erros nos documentos dos pais, que não retornaram para regularizar a situação.

Investigações e prisões relacionadas

O ex-marido de Yara, Ismael Bezerra, pai de Cristina Maria, foi preso durante uma operação da Polícia Civil no Conjunto Habitacional Cidade do Povo em abril do ano passado, junto com outros sete suspeitos, incluindo seu irmão Mizael Bezerra. O delegado Leonardo Neves, responsável pelas investigações, explicou que Ismael foi detido após apresentar divergências em seu depoimento. A polícia também apurou que Yara apontava o ex-companheiro como possível responsável pelo desaparecimento, mas nem ele nem a mãe registraram oficialmente o sumiço da bebê.

Esse caso ilustra a complexidade e a violência associadas aos desaparecimentos no Acre, exigindo ações coordenadas entre autoridades e a comunidade para prevenir novas tragédias e localizar as vítimas.