Vereador do interior do Ceará recebe condenação por tráfico ilegal de armas
O vereador Francisco das Chagas Tavares, conhecido popularmente como Chagas Teteu e filiado ao PDT, foi formalmente condenado pela Justiça do Ceará por envolvimento na venda ilegal de armas de fogo, munições e insumos para fabricação de munição no município de Ipu, localizado na região da Serra da Ibiapaba. A decisão judicial, datada de 27 de março, representa um sério revés para o parlamentar que exerce mandato na Câmara Municipal da cidade.
Detalhes da condenação e investigação
A pena aplicada ao vereador inclui quatro anos de prisão em regime inicial fechado, além de multa correspondente a dez dias-multa, calculada com base em um terço do salário mínimo vigente. A Justiça permitiu que Chagas Teteu recorra da decisão em liberdade, mantendo seu direito ao devido processo legal. A investigação que culminou na condenação teve início em maio de 2019, quando autoridades receberam denúncias sobre atividades ilícitas de comercialização de armamentos na região.
As polícias Civil e Militar do Ceará conduziram diligências que incluíram busca e apreensão na residência do acusado, autorizada pelo próprio vereador. Embora nenhuma evidência material tenha sido encontrada no local durante essa ação, a análise do celular de Chagas Teteu revelou conversas comprometedoras em aplicativo de mensagens. Essas comunicações eletrônicas demonstraram conexão com Antônio José Bezerra, indivíduo que adquiria munições e insumos como pólvora, espoletas e chumbo do parlamentar.
Provas coletadas e desdobramentos do caso
Os agentes policiais interceptaram um encontro marcado entre os dois homens na localidade de São João, em Ipu. Após abordagem, as autoridades se dirigiram à residência de Antônio José Bezerra, onde foram apreendidos diversos itens ilícitos, incluindo armas de fogo, munições de variados calibres, pólvora, espoletas e outros materiais relacionados. Durante os depoimentos, Bezerra confirmou ter adquirido parte do material apreendido diretamente com o vereador Chagas Teteu.
A Justiça destacou ainda que o dispositivo móvel do réu continha vídeos nos quais ele aparecia manipulando armas de fogo, além de registros escritos e anotações que sugeriam transações comerciais envolvendo materiais proibidos, com menções específicas a valores monetários e operações financeiras. Essas evidências digitais foram consideradas fundamentais para a construção do caso contra o parlamentar.
Contexto político e tentativas de contato
Chagas Teteu foi eleito vereador de Ipu em 2024 através do quociente partidário, após tentativa anterior em 2004 quando ficou como suplente. O g1 tentou contato tanto com o vereador condenado quanto com a presidente da Câmara Municipal de Ipu, Cristina Peres do PSB, mas não obteve resposta de nenhuma das partes até o fechamento desta reportagem. O caso ocorre em um contexto de mudanças políticas no estado, com migrações partidárias que incluem a debandada de parlamentares do PDT para o PSB.
Esta condenação levanta questões sobre a integridade de representantes eleitos e os mecanismos de controle sobre atividades ilícitas em municípios do interior. A situação permanece sob acompanhamento judicial, com possibilidade de recursos que podem alterar o desfecho final do processo.



