Toffoli é considerado tóxico para o Supremo após escândalo do Banco Master
Toffoli tóxico para o STF após caso Banco Master

Toffoli é considerado elemento tóxico para o Supremo Tribunal Federal

No presidencialismo, quando um presidente perde a reeleição, passa a ser tratado como "pato manco". Nos Estados Unidos, viveram esta situação George Bush (pai), Donald Trump (2020) e Joe Biden (2024). No Brasil, o primeiro presidente a perder uma reeleição foi Jair Bolsonaro, em 2022. Tanto Trump quanto Bolsonaro não se conformaram com a derrota, e sob alegação de fraudes convocaram aliados a invadir o Congresso.

Trump fez isso em 6 de janeiro de 2021, quando o vice-presidente Mike Pence presidia a cerimônia de homologação das candidaturas de Joe Biden e Kamala Harris. Dois anos depois, derrotado nas urnas eletrônicas, Jair Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos em 30 de dezembro de 2022, mas insuflou pelas redes sociais os acampamentos dos adeptos em frente ao QG do Exército.

O caso do ministro Toffoli e o Banco Master

O ministro José Antônio Dias Toffoli foi forçado por seus nove pares no Supremo Tribunal Federal a se afastar da relatoria do caso do Banco Master. As investigações da Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro, indicaram relações pouco ortodoxas, para não dizer escandalosas, com o banco de Vorcaro e empresas financeiras que gravitavam em torno da galáxia do Master.

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Por exemplo, o voo de carona de ida e volta de São Paulo a Lima (Peru), em 29 de novembro, para a final da Libertadores (Flamengo 1 X 0 Palmeiras), na companhia de advogado do Master, não foi apenas solidariedade entre torcedores, mas fruto de longa parceria em negócios omitida. Esta relação devia ter sido motivo para Toffoli se declarar suspeito quando foi sorteado relator do caso Master na semana seguinte.

Como não o fez e os fatos comprovaram, foi declarado suspeito pelo STF, que transferiu a relatoria para o ministro André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro em 2021.

As consequências políticas em Brasília

Trata-se de uma reviravolta que sacudiu os alicerces do mundo político de Brasília, que se achava protegido pelo triplo sigilo aplicado ao caso por Dias Toffoli. O ministro havia transferido o sigilo ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e pelo ministro do Tribunal de Contas da União, Jhonatan de Jesus, que se intrometeu no caso para questionar a ação do Banco Central.

Estão insones desde a noite de quinta-feira, sobretudo os membros do Centrão, aliados de Vorcaro. Eles estavam confiantes de que parte dos escândalos seriam abafados. Tudo mudou com a dupla ação de André Mendonça, à frente do caso dos desvios de descontos no varejo de aposentados do INSS, e agora na relatoria de golpes no atacado do Master contra fundos de pensão.

Vale lembrar que ambos os casos têm interseção com as lavagens de dinheiro descobertas pela "Operação Carbono Oculto", da Polícia Federal. Espera-se que os responsáveis sejam punidos, doa a quem doer.

O futuro de Toffoli no Supremo

Mas o que esperar de José Antônio Dias Toffoli? Indicado por Lula no 2º mandato, em outubro de 2009, embora reprovado em concursos para juiz, tinha uma folha de serviços ao PT. Tomou posse no STF em 23 de outubro, com 41 anos, e foi o mais jovem presidente do Supremo, aos 50 anos.

Nascido em 25 de novembro de 1967, pela idade seu mandato só expira na Corte Suprema em outubro de 2042, após cumprir 33 anos de mandato. Ou, diante de sua autoridade moral em xeque, renuncia ao cargo? A título de comparação, o ministro André Mendonça atinge 75 anos em 2050, cumprindo 26 anos. Gilmar Mendes, o decano, que assumiu em junho de 2002, acumulará 28 anos até 2030.

O cenário político pós-Carnaval

No "front" político, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre tentaria trancar a criação de uma CPI. Também ajudaria o PP, do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira, padrinho do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, atolado com os investimentos do fundo de pensão da prefeitura em papéis do Master.

O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI) chegou a propor, em 2024, elevar a garantia do FGC a R$ 1 milhão, para ajudar o Master. Foi demovido pelos grandes bancos. O PP e o União Brasil, por sinal, negociam fusão ou federação, agora sem as bençãos do Banco Master.

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A última pesquisa eleitoral da Quaest mostra que, se o cenário não mudar no Carnaval, a eleição de 4 de outubro de 2026 será novamente polarizada, como foi em 2018 e em 2022, sem chances para um nome da terceira via romper o dualismo entre Lula/PT e o clã Bolsonaro.