Servidores da Educação de Goiás são afastados por suspeita de desvio de verba para apostas online
Servidores estaduais da Secretaria de Educação de Goiás (Seduc) foram afastados de suas funções devido a fortes indícios de desvio de recursos financeiros destinados às escolas públicas para uso em jogos de apostas online. Entre os jogos mencionados nas investigações está o popular "Jogo do Tigrinho", que tem ganhado notoriedade no cenário digital brasileiro.
Investigação em andamento com processos administrativos
De acordo com informações divulgadas pela própria Seduc, os casos foram descobertos por meio de uma apuração conduzida pela Corregedoria da pasta, que ainda está em fase de desenvolvimento. Atualmente, existem cerca de 15 processos administrativos em andamento, todos sob segredo de justiça, conforme determinação legal.
A assessoria da Secretaria optou por não revelar o número total de servidores envolvidos, mantendo a discrição necessária para preservar a integridade das investigações. Em nota oficial, a Seduc afirmou que as apurações "seguem rigorosamente os trâmites legais e administrativos previstos na legislação vigente".
Vício em jogos e prejuízos financeiros significativos
Em entrevista à TV Anhanguera, a secretária estadual de Educação, Fátima Gavioli, detalhou que as investigações identificaram que os servidores desenvolveram um vício em jogos de azar online. Ela relatou que, durante os depoimentos, foram mencionadas situações de endividamento prévio, incluindo financiamentos bancários.
Os desvios foram registrados em diversas cidades goianas, como Goiânia, Pires do Rio e Itaberaí, evidenciando uma dispersão geográfica preocupante. "Nós temos casos espalhados pelo estado", destacou Gavioli, reforçando a amplitude do problema.
Casos específicos e valores desviados
Conforme apuração da repórter Isabelle Saleme, da TV Anhanguera, em uma das escolas investigadas, os desvios ocorreram ao longo de três meses e totalizaram aproximadamente R$ 90 mil. Os servidores envolvidos ocupavam cargos de gestão e assessoria financeira, incluindo tanto efetivos quanto contratados, o que demonstra uma diversidade nos perfis dos acusados.
Em um depoimento à Polícia Civil, uma auxiliar administrativa de uma escola em Itaberaí confessou espontaneamente que desviava verbas para investir no "Jogo do Tigrinho". Ela explicou que a intenção inicial era recuperar o valor para redepositá-lo na conta da escola, mas as perdas consecutivas no jogo frustraram esse plano.
Posicionamento de entidades do setor de jogos
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) emitiram notas destacando a importância do jogo como entretenimento e a necessidade de mecanismos de controle. As entidades afirmaram que as plataformas regulamentadas oferecem ferramentas como:
- Autoavaliação para identificar comportamentos compulsivos
- Autoexclusão para limitar a participação
- Limites de tempo e depósitos financeiros
O IBJR alertou ainda sobre os riscos do mercado clandestino, que representa cerca de 51% do setor no Brasil, expondo os jogadores a fraudes e lavagem de dinheiro.
Desafios na apuração e próximos passos
A Polícia Civil informou que não pode divulgar detalhes da investigação sem a identificação prévia dos servidores, o que tem dificultado o acesso a informações mais específicas. Os primeiros relatos sobre os desvios remontam a dois anos, indicando que a prática pode ter se prolongado por um período considerável antes da descoberta.
A Seduc mantém o sigilo sobre o valor total desviado, mas os casos já identificados sugerem prejuízos significativos aos cofres públicos e, consequentemente, à educação no estado de Goiás. As investigações continuam em andamento, com a expectativa de que novos detalhes sejam revelados conforme os processos administrativos avançam.