Receita Federal identifica servidor do Serpro suspeito de vazar dados de ministros do STF
Servidor do Serpro suspeito de vazar dados de ministros do STF

Receita Federal identifica servidor do Serpro suspeito de vazar dados de ministros do STF

A Receita Federal identificou indícios de que um servidor do Serpro, empresa estatal de processamento de dados cedida ao Fisco, pode estar envolvido na quebra de sigilo de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares. De acordo com apurações preliminares, o funcionário, lotado no Rio de Janeiro, teria acessado sistemas internos de forma irregular e repassado informações confidenciais a terceiros.

Operação policial deflagrada em três estados

Até o momento, não foram divulgados o nome do suspeito nem a identidade de quem teria recebido os dados. O caso surge no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master, liquidado pelo Banco Central no ano passado, que já motivaram operações da Polícia Federal em Brasília, São Paulo e outros estados. A identificação de uma possível sobreposição de atuação nos dois casos levou à deflagração de uma operação na manhã desta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026.

Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. O rastreamento realizado pela Receita permitiu mapear acessos indevidos aos sistemas, o tempo de permanência nas páginas e se houve download ou impressão de dados fiscais. Também foram analisados acessos feitos por meio de procurações concedidas a terceiros.

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Robô verifica quebras de sigilo envolvendo mais de 100 pessoas

Um robô foi utilizado para verificar possíveis quebras de sigilo envolvendo ministros e seus familiares, como pais, mães, cônjuges e filhos. A lista apurada envolve mais de 100 pessoas. A primeira etapa do levantamento foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, que havia solicitado as informações. Com base nesses dados, foi autorizada a operação policial.

Moraes foi informado de que houve acesso à declaração de Imposto de Renda de sua esposa, a advogada Viviane Barsi. O escritório dela foi contratado pelo Banco Master por R$ 3,6 milhões mensais para atuar na defesa dos interesses da instituição, segundo informações divulgadas anteriormente pelo jornal O Globo. Outros ministros também teriam sido informados de que dados de familiares foram consultados de forma irregular.

Ministros do STF entre os possíveis alvos dos acessos indevidos

Entre os possíveis alvos dos acessos indevidos estão as ex-esposas dos ministros Dias Toffoli, Roberta Rangel, e Gilmar Mendes, Guiomar Feitosa. Segundo a Receita, o STF solicitou em 12 de janeiro uma auditoria nos sistemas do órgão para apurar eventuais desvios no acesso a dados de ministros, parentes e outras pessoas nos últimos três anos. O trabalho foi incorporado a um procedimento já aberto no dia anterior pela Corregedoria do Fisco, com base em informações divulgadas pela imprensa.

Desde 2023, a Receita afirma ter ampliado os mecanismos de controle de acesso, com restrições mais rigorosas e reforço nos sistemas de alerta. No período, foram concluídos sete processos disciplinares, resultando em três demissões e sanções nos demais casos. Atualmente, segundo pessoas que acompanham o tema, há dez processos administrativos ainda em andamento.

O mesmo servidor já era investigado pela Corregedoria da Receita e pela Polícia Federal por suspeita de vazamento de informações. O pedido de Alexandre de Moraes inclui ministros do STF e parentes e prevê milhares de checagens em cerca de 80 sistemas da Receita. A apuração ocorre no contexto da crise envolvendo o Banco Master e suspeitas de vazamento de informações sigilosas, reforçando a necessidade de transparência e segurança nos órgãos públicos.

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