Senado cria grupo para investigar atuação da CVM no Caso Master
Senado investiga CVM no Caso Master com grupo de trabalho

Senado intensifica investigação sobre atuação da CVM no Caso Master

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal estabeleceu um grupo de trabalho específico para acompanhar de perto as investigações relacionadas ao Caso Master, com atenção especial voltada para o papel desempenhado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo informações divulgadas, o grupo deve deliberar nesta terça-feira (10) sobre requerimentos para audiências iniciais com representantes da autarquia reguladora.

Foco na fiscalização dos fundos de investimento

O presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), justificou a decisão afirmando que "cabia ao órgão fiscalizar os fundos" de investimento que, conforme apurações da Polícia Federal, podem ter sido utilizados em esquemas de fraude envolvendo o Banco Master e outras instituições financeiras, como a Reag Investimentos. A CVM, vinculada ao Ministério da Fazenda, possui autonomia administrativa e financeira e é responsável por regular empresas que negociam ações, debêntures e fundos de investimento, diferentemente do Banco Central, que fiscaliza instituições bancárias.

Contexto político e indicações pendentes

A possível audiência com representantes da CVM ocorre em um momento delicado, pois a CAE ainda precisa aprovar duas indicações ao órgão feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Uma delas é a do presidente interino da instituição, Otto Lobo, cuja permanência no cargo gerou reações significativas do mercado financeiro. A indicação foi apontada como uma decisão política com forte influência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que, no entanto, rejeita essa tese e alega, reservadamente, não ser "pai" da nomeação.

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Estratégias de atuação do grupo de trabalho

O grupo de trabalho adotou uma abordagem cautelosa, priorizando a apresentação direta de pedidos às autoridades competentes para manter relações institucionais positivas. Requerimentos que poderiam solicitar acesso a informações sigilosas das investigações em andamento devem ser tratados posteriormente. Nesta quarta-feira, uma comitiva do grupo terá reuniões com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar acesso a dados de operações anteriores, incluindo a Carbono Oculto.

Na semana passada, o grupo já se reuniu com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, recebendo sinais positivos sobre o acesso ao material investigativo. Auxiliares de Renan Calheiros avaliam que os dados do BC e do TCU poderiam ser suficientes para avançar nas apurações.

Desafios legais e alternativas investigativas

Por se tratar de um grupo de trabalho e não de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), o acesso a dados sigilosos é considerado mais complexo. A base legal utilizada é a lei 105 de 2021, que autoriza comissões parlamentares de inquérito a obter informações sigilosas diretamente de instituições financeiras ou por intermédio do Banco Central e da CVM. No entanto, se houver necessidade de nova quebra de sigilo, a legislação exige aprovação prévia pelo plenário, algo que Renan pretende evitar.

Diante da resistência da cúpula do Congresso para a criação de uma CPI do Master, o grupo de trabalho surge como uma alternativa viável. Caso haja negativa no acesso aos dados, aliados de Renan não descartam utilizar a CPI do Crime Organizado, já instalada, para propor requerimentos adicionais.

CVM também se mobiliza internamente

Enquanto o Senado concentra esforços para cobrar explicações sobre a atuação da CVM no Caso Master, o órgão regulador iniciou sua própria organização interna para apuração. Nesta semana, a CVM instalou um grupo de trabalho interno e determinou o levantamento das áreas envolvidas e das análises já realizadas sobre o Banco Master.

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Na primeira reunião, foi solicitada a identificação das superintendências da CVM que atuam em temas relacionados ao conglomerado comandado por Daniel Vorcaro, incluindo o envio de um detalhamento das medidas e análises realizadas até o momento. A CVM é estruturada em superintendências com atribuições específicas, e o mapeamento visa informar ao grupo de trabalho as providências já adotadas e os processos em andamento.

Nova investigação da CVM

A Comissão de Valores Mobiliários iniciou nesta segunda-feira (9) uma nova investigação sobre as ações do Banco Master, da gestora de fundos Reag e de outras entidades conexas. A apuração interna deve durar aproximadamente três semanas, embora o colegiado da CVM ainda não tenha uma reunião formal marcada para avaliar os dados que serão levantados.

Segundo fontes próximas ao grupo de trabalho, a expectativa é que as informações sejam analisadas progressivamente à medida que forem recebidas. De acordo com a CVM, o objetivo do grupo é consolidar e sistematizar fatos, processos e informações para aprimorar o diagnóstico institucional, fortalecer o acompanhamento integrado das ações em curso e garantir maior transparência e prestação de contas à sociedade.