Roteirista indicado ao Oscar deixa prisão no Irã após 17 dias detido
O iraniano Mehdi Mahmoudian, co-roteirista do filme Foi Apenas Um Acidente, indicado ao Oscar em duas categorias, foi libertado pelas autoridades nesta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026. Ele estava detido há mais de duas semanas por assinar um documento de protesto contra o regime dos Aiatolás e a repressão no país.
Contexto dos protestos e repressão no Irã
Nos últimos meses, protestos eclodiram em todo o Irã em resposta ao agravamento da crise econômica. Os movimentos foram respondidos com forte repressão, resultando na morte de milhares de manifestantes pelas forças do governo. O documento assinado por Mahmoudian atribui a principal responsabilidade por estas atrocidades a Ali Khamenei, o líder da República Islâmica, e à estrutura repressiva do regime.
Libertação mediante fiança
Segundo informações do jornal britânico The Guardian, Mahmoudian e outros dois signatários da carta crítica ao governo teocrático foram liberados pelas autoridades mediante pagamento de fiança. O valor exato pago não foi divulgado, mas a medida permitiu sua saída da prisão após quase três semanas de detenção.
O filme 'Foi Apenas Um Acidente' e sua trajetória
Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, Foi Apenas Um Acidente concorre a melhor longa-metragem internacional e melhor roteiro no Oscar, que acontece no dia 15 de março. O filme segue um grupo de ex-prisioneiros políticos iranianos que lutam para decidir se devem ou não se vingar de um homem que eles acreditam que os torturou na prisão.
História de Mahmoudian e sua conexão com o cinema
Jornalista e ativista dos direitos humanos, Mahmoudian conheceu o diretor Jafar Panahi na prisão, quando ambos estavam detidos por posicionamentos anti-regime. Depois de ser liberado, ele foi convidado pelo cineasta para participar do roteiro do longa, usando sua experiência atrás das grades para refinar o texto e os diálogos. O roteiro também é assinado por Nader Saeiver e Shadhmer Rastin.
Este caso ilustra a tensão entre a produção cultural iraniana e o regime político, destacando como artistas e intelectuais enfrentam riscos ao expressar críticas. A libertação de Mahmoudian ocorre em um momento crucial, com o filme prestes a competir no Oscar, trazendo atenção internacional para as questões de direitos humanos no Irã.



