Senador revela pressão política sobre Tribunal de Contas em caso do Master
O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Renan Calheiros, fez graves acusações nesta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, ao afirmar que o chamado Centrão praticou chantagem contra um ministro do Tribunal de Contas da União para interromper a liquidação do Banco Master. As declarações foram feitas após reunião com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, onde o senador detalhou o que chamou de "clima de constrangimento" no TCU.
Investigações avançam com requisição de dados pessoais
O grupo de trabalho do Senado que supervisiona as investigações sobre o caso Master requisitará dados do celular do dono do banco, Daniel Vorcaro. Calheiros defendeu que os depoimentos comecem pelo banqueiro, embora ainda não haja data marcada para a audiência. "Para que os trabalhos da comissão sejam produtivos, defendi isso publicamente, acho que deveríamos começar as fases de depoimento ouvindo o Vorcaro", declarou o senador.
Busca por informações sigilosas e colaboração com Polícia Federal
Durante o encontro com Fachin, Calheiros reafirmou o pedido de acesso completo às investigações sobre o caso. "Vamos requisitar todas as informações das investigações, porque são várias investigações, para que possamos, com autoridade, colaborar na responsabilização dessas pessoas, mas fundamentalmente aperfeiçoar a legislação, a regulação e a própria fiscalização", explicou.
O senador também se reuniu com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, solicitando acesso a informações, inclusive sigilosas, das investigações do Banco Master. Rodrigues se comprometeu a ceder um assessor técnico para colaborar com os trabalhos do grupo da CAE.
Denúncia específica sobre pressão no TCU
Calheiros detalhou ao ministro Fachin as conversas que teve com o presidente do TCU, Vital do Rêgo, que supostamente teria sofrido constrangimento político. "Contei para o ministro Fachin o clima de constrangimento do Tribunal de Contas da União. Eu estive lá, conversei pormenorizadamente com o presidente Vital do Rêgo. O Centrão chantageou um ministro do Tribunal de Contas para que ele acabasse com a liquidação do Master, feita pelo Banco Central", afirmou o senador.
Limites do grupo de trabalho
O parlamentar deixou claro que as atividades do grupo não podem ser confundidas com as de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. "Nós não temos papel de polícia, mas nós podemos ter papel na investigação", frisou Calheiros, acrescentando que o grupo fará o "possível" para elucidar o caso.
As investigações sobre o Banco Master continuam avançando no Senado, com o grupo de trabalho buscando ampliar seu acesso a dados e informações que possam esclarecer as operações do banco e as supostas interferências políticas no processo de liquidação.



