Operação Jogo Limpo: R$ 650 mil desviados de projetos sociais em Palmas, revela investigação
R$ 650 mil desviados de projetos sociais em Palmas, diz polícia

Operação Jogo Limpo desvenda esquema de desvio de R$ 650 mil em Palmas

A Polícia Civil do Tocantins revelou detalhes de uma investigação que expôs um sofisticado esquema de desvio de recursos públicos destinados a projetos sociais em Palmas. Conhecida como Operação Jogo Limpo, a apuração identificou o desvio de aproximadamente R$ 650 mil que deveriam financiar iniciativas de esporte e combate às drogas para jovens em situação de vulnerabilidade.

O sequestro de uma esperança para a juventude

Os dados da investigação apontam que o Convênio nº 020/2014, firmado entre a Fundação Municipal de Esporte e Lazer de Palmas (FUNDESPORTES) e o Instituto Vale do Tocantins, previa o custeio do projeto "Atividade Física e Recreativa no Combate às Drogas". O valor de R$ 349.740,00 foi liberado em 3 de outubro de 2014, após uma tramitação recorde de apenas oito dias, o que já despertou suspeitas dos investigadores.

A análise bancária realizada pela polícia comprovou que 100% dos recursos foram retirados por meio de cheques e direcionados a empresas de fachada no mesmo dia do crédito. Para os investigadores, a celebração do convênio teve como finalidade exclusiva a apropriação ilícita do dinheiro, configurando o que foi denominado de "sequestro de uma esperança" para a juventude local.

Comissão fantasma e tramitação atípica

A estrutura que sustentava a fraude incluía uma comissão fictícia de análise de projetos dentro da própria Fundesportes. O relatório da polícia aponta que servidores públicos tiveram seus nomes incluídos no grupo sem o seu conhecimento. Em depoimentos, esses funcionários afirmaram que sequer sabiam que faziam parte da comissão e que jamais analisaram qualquer documento relativo ao projeto investigado.

Isso indicou para os investigadores que a aprovação era apenas uma formalidade fraudulenta para liberar o dinheiro. A celeridade atípica na tramitação, com liberação de elevados valores em poucos dias, evidenciou ajuste prévio entre os envolvidos no esquema criminoso.

Empresas fantasmas e lavagem de dinheiro

O núcleo do esquema operava através de empresas fantasmas para lavar o dinheiro desviado. Durante as buscas, a polícia descobriu que os endereços declarados eram falsos, sendo em um deles, por exemplo, o de uma igreja evangélica. Além disso, as notas fiscais apresentadas eram ideologicamente falsas, emitidas por serviços e mercadorias que nunca existiram.

Os recursos foram espalhados entre dez indiciados, incluindo agentes políticos e seus familiares. A quebra de sigilo bancário identificou que o então vereador Rogério Freitas recebeu um depósito de R$ 40 mil de origem de uma das empresas fantasmas apenas cinco dias após o repasse do convênio.

Principais indiciados e crimes apurados

Entre os principais indiciados estão:

  • O ex-presidente da Fundesportes, Cleyton Alen
  • O presidente do instituto, Deusdete da Silva Melo

Eles respondem sob acusações de:

  1. Peculato
  2. Lavagem de dinheiro
  3. Associação criminosa
  4. Falsidade ideológica
  5. Fraude em licitações

Repercussões e posicionamentos

O ex-vereador Rogério Freitas, investigado na operação, afirmou que após 12 anos não foi sequer denunciado: "É importante que se apresente a denúncia, os investigados se defendam e a justiça julgue, com a urgência que o caso requer."

A Prefeitura de Palmas emitiu nota afirmando que os fatos não têm relação com a atual gestão e que colabora com as investigações da Polícia Civil. Por telefone, Deusdete Melo disse que os esclarecimentos já foram feitos e que o Instituto Vale do Tocantins foi desativado.

Doze anos se passaram desde a celebração do convênio e as crianças e adolescentes permaneceram sem qualquer atendimento do projeto que prometia combater as drogas através do esporte. A investigação continua em andamento, com os suspeitos aguardando o desfecho do processo judicial.