PSD-RJ aciona STJ e PGR contra governador Cláudio Castro por suposta perseguição política
PSD aciona STJ contra Cláudio Castro por perseguição política

PSD-RJ aciona STJ e PGR contra governador Cláudio Castro por suposta perseguição política

O diretório regional do Partido Social Democrático (PSD) no Rio de Janeiro anunciou nesta quarta-feira que vai apresentar uma representação criminal no Superior Tribunal de Justiça (STJ), junto à Procuradoria-Geral da República (PGR), contra o governador Cláudio Castro (PL) e o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi. Segundo a legenda, o objetivo é apurar um suposto uso do aparato policial do estado para perseguir adversários políticos de forma sistemática.

Investigação de improbidade administrativa

Além da ação no STJ e na PGR, o PSD informou que pretende acionar o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) para investigar se houve prática de improbidade administrativa por parte do governador e do secretário. A iniciativa, que foi antecipada pelo colunista Lauro Jardim no jornal O Globo, ocorre exatamente um dia após a prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD), ex-secretário da prefeitura do Rio, durante a Operação Contenção Red Legacy.

Contexto da prisão do vereador

Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, Salvino Oliveira é suspeito de ter negociado diretamente com o traficante conhecido como Doca autorização para fazer campanha eleitoral em uma comunidade dominada pelo Comando Vermelho. A investigação que levou à prisão do parlamentar começou em outubro de 2024, passou por análise do Ministério Público do Rio e da Justiça, e foi conduzida com base em provas técnicas, conforme afirmou a corporação em nota oficial.

Acusações do PSD e pedidos formais

O partido do prefeito Eduardo Paes afirma ter indícios concretos de abuso de poder, prevaricação e crimes eleitorais cometidos pelo governo estadual. Entre os pedidos que devem ser formalmente apresentados está o eventual afastamento cautelar do governador Cláudio Castro e do secretário Felipe Curi, caso seja considerado necessário para evitar interferência no processo eleitoral em curso no estado.

Ampliação do embate político

A prisão do ex-secretário municipal e de um ex-secretário do governo estadual ampliou significativamente o embate político entre o prefeito Eduardo Paes e o governador Cláudio Castro. Os dois trocaram ataques públicos nas redes sociais com críticas mútuas sobre gestão pública, segurança e transparência administrativa, criando um clima de tensão política no estado.

Audiências em Brasília

Um dos dirigentes do PSD no estado, o deputado federal Pedro Paulo Carvalho, afirmou ao g1 que o partido pretende levar o caso a diferentes autoridades em Brasília. Segundo ele, os parlamentares pediram uma audiência com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator da chamada ADPF das Favelas.

"Estamos diante de uma máfia que instrumentaliza a polícia para fazer perseguição e covardia contra os desafetos políticos e, por isso, vamos às últimas consequências", declarou o deputado federal Pedro Paulo Carvalho em entrevista exclusiva.

Posicionamento da Polícia Civil

Em nota oficial, a Polícia Civil do Rio de Janeiro esclareceu que a investigação que levou à prisão do vereador Salvino começou em 15 de outubro de 2024 e passou por três esferas diferentes e independentes: Polícia Civil, Ministério Público e Judiciário. A corporação afirmou que "não sendo assim uma decisão de governo e sim da Justiça".

A representação pela prisão foi feita em 1º de janeiro de 2026, tendo o Ministério Público analisado e dado parecer favorável no dia 21 de janeiro. O Poder Judiciário autorizou os mandados em 27 de fevereiro, com expedição em 3 de março deste ano.

"A investigação foi conduzida com rigor técnico e seriedade e não possui lado político. Prova disso é que a operação cortou na própria carne do Estado, com a prisão de seis policiais militares, incluindo dois oficiais", afirmou a Polícia Civil em comunicado oficial.

A corporação finalizou afirmando que "a Polícia Civil não escolhe alvo por posição política, por grupo ou por conveniência" e que "por todos esses fatos, a operação que resultou na prisão do vereador foi legal e legítima, baseada em provas técnicas".

O g1 entrou em contato com o Governo do Rio de Janeiro para obter um posicionamento oficial sobre as acusações do PSD, mas ainda aguarda resposta das assessorias do governador Cláudio Castro.