Empresário e policial militar gera polêmica com promoção após mortes em operação no Maranhão
Um vídeo publicado nas redes sociais de uma rede de restaurantes em Teresina, no Piauí, causou revolta e viralizou ao anunciar uma promoção "em comemoração" a um confronto policial que resultou na morte de dois suspeitos na cidade de Timon, no Maranhão. O autor da ação é Arlindo Filho, proprietário dos estabelecimentos e também cabo da Polícia Militar do Maranhão.
Promoção lançada "no calor do momento" após troca de tiros
No material divulgado, Arlindo Filho menciona diretamente o episódio ocorrido na tarde de quinta-feira (22), quando uma operação policial terminou com a morte de dois homens investigados por envolvimento em homicídios. "Hoje a polícia conseguiu cancelar dois CPFs numa troca de tiros [...] e para comemorar, eu autorizo agora [promoção] em comemoração a morte desses dois", afirmou o empresário no vídeo.
Em entrevista ao g1, Arlindo Filho explicou que conhecia os suspeitos mortos e que lançou a promoção de forma impulsiva, sem qualquer planejamento comercial. "Foi uma empolgação. Lancei a promoção e pronto. Sem ganhar nada, perdendo até", relatou. Apesar disso, ele destacou que a iniciativa teve grande aceitação do público, o que o motivou a estender a oferta para a sexta-feira (23).
Polícia Militar se isenta e não se pronuncia sobre o caso
Procurado pela reportagem, o 11º Batalhão da Polícia Militar de Timon emitiu uma nota oficial se distanciando completamente do conteúdo veiculado pelo cabo e empresário. A corporação afirmou que o material não foi divulgado em canal institucional e, portanto, não representa uma manifestação oficial da PM.
"Considerando que o conteúdo não foi veiculado em canal institucional nem representa manifestação oficial da Corporação, não iremos nos pronunciar sobre o referido material", declarou a PM em comunicado. A decisão de não comentar o caso reforça a tentativa de separar as ações individuais do policial das diretrizes oficiais da instituição.
Contexto do confronto e reações nas redes sociais
O confronto policial que deu origem à polêmica ocorreu em Timon e, segundo informações da própria PM, os dois suspeitos mortos eram investigados por participação em pelo menos oito homicídios. A operação não deixou policiais feridos, mas gerou comoção local e, posteriormente, repercussão nacional devido à atitude do empresário.
Nas redes sociais, o vídeo da promoção rapidamente acumulou milhares de visualizações e comentários, dividindo opiniões entre apoiadores e críticos da iniciativa. Enquanto alguns usuários elogiaram a ação como uma forma de celebrar a atuação policial, outros condenaram a banalização da violência e a falta de sensibilidade diante de mortes, mesmo que envolvendo suspeitos de crimes graves.
A situação expõe questões delicadas sobre a conduta de agentes públicos em suas redes pessoais, além de levantar debates éticos sobre como a sociedade reage a episódios de violência policial. O caso também ilustra como as redes sociais podem amplificar rapidamente atitudes polêmicas, transformando ações individuais em temas de discussão pública.