Justiça do Maranhão decreta prisão preventiva para oito vereadores de Turilândia
A Justiça do Maranhão transformou a prisão domiciliar em prisão preventiva para oito dos onze vereadores investigados por um esquema de corrupção que desviou mais de R$ 56 milhões dos cofres da Prefeitura de Turilândia, no interior do estado. Os nomes dos parlamentares não foram divulgados oficialmente, mas a medida foi tomada após pedido do Ministério Público do Maranhão.
Descumprimento de medidas cautelares levou à decisão judicial
Conforme apurado pela TV Mirante, a mudança no regime de prisão ocorreu porque os investigados descumpriram medidas cautelares que proibiam contato entre eles e testemunhas do caso. A decisão foi proferida pela desembargadora Maria da Graça Peres Soares, da Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão.
O prefeito da cidade, Paulo Curió, já está preso desde o fim do ano passado, sendo apontado como suspeito de comandar o esquema criminoso. No mês passado, a Justiça determinou que o Governo do Maranhão assumisse a administração municipal por 180 dias, em uma medida extrema para restaurar a normalidade institucional.
Intervenção estadual e nomeação de interventor técnico
Na última segunda-feira (9), o governador do Maranhão, Carlos Brandão, anunciou o defensor público Thiago Josino Carrilho de Arruda Macêdo como interventor do município. O nome foi enviado à Assembleia Legislativa do Maranhão para aprovação dos parlamentares.
Thiago Macêdo foi escolhido por seu perfil técnico e experiência administrativa, sendo coordenador da Central de Relacionamento com o Cidadão da Defensoria Pública do Estado do Maranhão e presidente do Conselho Penitenciário do Maranhão. A intervenção tem prazo inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada caso não haja restabelecimento da normalidade constitucional.
Esquema criminoso envolve família do prefeito e desvios milionários
O Ministério Público do Maranhão denunciou, no dia 19 de janeiro, o prefeito Paulo Curió, a vice-prefeita, a ex-vice-prefeita e sete familiares por suspeita de desviar R$ 56 milhões de recursos públicos. A denúncia foi enviada à desembargadora Maria da Graça Peres Soares Amorim, relatora do caso na 3ª Câmara Criminal do TJ-MA.
Segundo o MP-MA, o prefeito é acusado de promover, organizar, dirigir e integrar uma organização criminosa, usando o cargo para manter o funcionamento do esquema. Os crimes apontados incluem:
- Organização criminosa
- Desvio de rendas e valores públicos
- Fraude a licitações
- Corrupção passiva
- Lavagem de dinheiro
Família e núcleo político formam rede de desvios
Além do prefeito, o MP-MA denunciou familiares e integrantes do núcleo político de Turilândia, incluindo:
- Eva Dantas, primeira-dama e esposa do prefeito
- Tânya Karla, vice-prefeita
- Janaina Soares, ex-vice-prefeita
- Domingos Sávio Fonseca Silva, pai do prefeito
- Marcel Everton Dantas Filho, irmão do prefeito
- Taily de Jesus Everton Silva Amorim, irmã do prefeito
- José Paulo Dantas Filho, tio do prefeito
- Ritalice Souza Abreu Dantas, cunhada do prefeito
- Jander Silveiro, cunhado do prefeito
Segundo a promotoria, os familiares teriam atuado como laranjas, ajudando a movimentar, ocultar e dissimular os valores desviados. O MP-MA afirma que o grupo formou uma organização criminosa estruturada, estável e com divisão clara de funções.
Operação Tântalo II investiga desvios desde 2021
A Operação Tântalo II, deflagrada no dia 22 de dezembro, apura o desvio de R$ 56,3 milhões dos cofres públicos, envolvendo empresas de fachada criadas pelo prefeito e seus aliados políticos. Os desvios eram principalmente das áreas da Saúde e da Assistência Social.
Além dos gestores, há empresários, servidores, onze vereadores e um ex-vereador investigados por integrar o esquema de corrupção. Atualmente, o ex-vereador atua como secretário municipal de Agricultura. As irregularidades teriam ocorrido durante a gestão do prefeito Paulo Curió, entre 2021 e 2025.
O Ministério Público pede o ressarcimento integral dos R$ 56,3 milhões desviados, a perda de bens e valores ligados ao esquema, a perda de cargos públicos quando houver abuso de poder, e a manutenção das medidas cautelares já determinadas.



