Prefeito interino exonera quatro auxiliares em Cabedelo após operação da PF
Prefeito exonera auxiliares após operação da PF em Cabedelo

Prefeito interino exonera quatro auxiliares após operação da Polícia Federal em Cabedelo

O prefeito interino de Cabedelo, José Pereira, do partido Avante, determinou a exoneração de quatro auxiliares que foram alvos da operação da Polícia Federal que investiga uma conexão entre o poder público municipal e uma facção criminosa. A investigação aponta que o esquema desviou aproximadamente R$ 270 milhões dos cofres da prefeitura.

Os exonerados e suas funções

Entre os exonerados está Cynthia Denize Silva Cordeiro, sogra do prefeito afastado Edvaldo Neto, que ocupava o cargo de secretária de Ocupação e Uso do Solo. Segundo as investigações, ela teria atuado como advogada de Flávio de Lima Monteiro, conhecido como Fatoka, chefe do braço da facção criminosa Comando Vermelho na cidade.

Também foram exonerados Diego Carvalho Martins, Procurador-Geral do Município e cunhado de Edvaldo Neto; Claudio Fernandes de Lima Monteiro, gerente geral de Recursos Humanos; e Josenilda Batista dos Santos, secretária de Administração. Claudio e Josenilda já haviam sido afastados de seus cargos por decisão judicial anterior.

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Mecanismos do esquema criminoso

De acordo com a investigação, o esquema utilizava empresas terceirizadas para contratar pessoas ligadas à facção criminosa e inseri-las dentro da administração pública, com o objetivo de desviar recursos. A participação de Cynthia Denize no esquema não teria sido acidental, conforme destacou o desembargador Ricardo Vital de Almeida, citando o Ministério Público da Paraíba nos autos do processo.

"Ela teria articulado a aliança inicial entre a Prefeitura e a facção. Sua influência, segundo os indícios, se estende, já que é sogra do atual prefeito Edvaldo Neto, o que, em tese, a posicionaria como figura de poder contínuo, garantindo a manutenção do pacto", afirma trecho da decisão judicial.

Papéis específicos dos envolvidos

A investigação aponta Josenilda Batista dos Santos como o principal braço operacional interno da facção na administração pública, responsável por receber indicações da facção e operacionalizar contratações através da empresa terceirizada.

Diego Carvalho Martins é suspeito de conferir aparência de legalidade ao esquema, utilizando sua função técnica para emitir pareceres jurídicos que sustentariam a desclassificação de empresas concorrentes e favoreceriam a contratação de uma única empresa.

Já Claudio Fernandes Monteiro é apontado como suspeito de atuar na fase de execução dos contratos entre o poder público e as empresas nas licitações, tendo sido designado como gestor contratual para evitar fiscalização e garantir a "blindagem" da execução dos acordos fraudulentos.

Operação da Polícia Federal

Durante a operação, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, incluindo um apartamento do prefeito Edvaldo Neto localizado em Intermares. A Polícia Federal ainda não detalhou o material apreendido durante as diligências.

As investigações são conduzidas em regime de força-tarefa entre a Polícia Federal, o Ministério Público da Paraíba, por intermédio do Gaeco, e a Controladoria-Geral da União. A Justiça também proibiu o acesso às dependências da prefeitura de sete pessoas, incluindo Edvaldo Neto e os quatro exonerados.

As defesas dos quatro exonerados não foram localizadas para comentar as acusações. A operação continua em andamento, com novas informações sendo apuradas pelas autoridades competentes.

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