Prefeito de Pio IX é alvo de CPI por denúncias de exploração sexual de adolescentes
O prefeito de Pio IX, no Piauí, Silas Noronha (PSD), está sendo investigado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Vereadores da cidade após graves denúncias de exploração sexual de adolescentes. As acusações foram feitas por um ex-membro de sua equipe de campanha, que divulgou vídeos nas redes sociais no dia 22 de março.
Sobrinho do prefeito é preso pela Polícia Civil
Nesta quinta-feira (9), a Polícia Civil do Piauí prendeu Samuel Noronha, sobrinho do prefeito Silas Noronha, em Pio IX. A ação foi realizada pela Diretoria de Operações Policiais (DEOP) em apoio à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). O delegado Tales Gomes confirmou que o homem foi encaminhado para a Delegacia de Polícia Civil de Picos, onde passará por interrogatório. Enquanto isso, o prefeito é considerado foragido pelas autoridades.
Denúncias detalham esquema de aliciamento de menores
Liedson Alves, ex-membro da equipe de campanha do prefeito nas eleições de 2024, foi quem fez as denúncias publicamente. Ele relatou que, após as eleições, Silas Noronha teria proposto que ele atraísse adolescentes com idades entre 13 e 14 anos em troca de um salário mínimo. "O prefeito falou que, para eu ter renda e ele continuar me pagando, ele ia aumentar o salário, mas para isso eu tinha que levar meninas pra ele", afirmou Liedson em vídeos.
Segundo as acusações, as garotas envolvidas seriam geralmente filhas de pessoas alinhadas à prefeitura, como familiares de gestores ou políticos. Liedson também mencionou que um sobrinho do prefeito participaria do esquema. Em um dos vídeos, ele contou que uma das adolescentes teria recebido cerca de R$ 1 mil no primeiro encontro em um motel com Silas, mas foi ameaçada de morte ao tentar expor a situação.
Prefeito nega acusações e alega perseguição política
Em nota divulgada nas redes sociais, o prefeito Silas Noronha classificou as acusações como "caluniosas, totalmente inverídicas e não possuem qualquer fundamento". Ele afirmou que sempre conduziu sua vida pública e pessoal com respeito e dignidade, e atribuiu as denúncias a uma tentativa de ataque à sua honra motivada por perseguição política. "Meu legado, fruto de anos de dedicação ao nosso município, não será destruído por inverdades", declarou.
Investigações em andamento com sigilo judicial
Além da CPI, que começou suas atividades em 31 de março sob a presidência do vereador Maykon Alencar (PSD), o prefeito já era alvo de um inquérito aberto pela Polícia Civil do Piauí através da DPCA. A delegada Rosa Chaib, da DPCA, informou que o processo corre em segredo de justiça, limitando a divulgação de detalhes. A CPI deverá reunir depoimentos de testemunhas e acusados, produzindo um relatório final com sugestões de medidas.
Liedson Alves expressou arrependimento pelas suas ações, dizendo: "Sei que errei, mas tinha a questão financeira. Havia necessidades, larguei tudo para ficar com o prefeito e fui enganado, coagido". Ele também afirmou que cobrou repetidamente um emprego legítimo e não quis mais participar do esquema. As investigações continuam para apurar a extensão do caso e possíveis envolvidos além do prefeito.



