MPF denuncia prefeito afastado de Sorocaba e 12 pessoas por crimes em contratos da saúde
Prefeito de Sorocaba e 12 são denunciados por crimes na saúde

Prefeito afastado de Sorocaba e esposa são denunciados por crimes em contratos da saúde

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou uma denúncia contra treze pessoas por supostos crimes envolvendo contratos com a Prefeitura de Sorocaba, no interior de São Paulo, na área da saúde. Entre os denunciados estão o prefeito afastado Rodrigo Manga, do Republicanos, e sua esposa, Sirlange Frate Maganhato.

A defesa do prefeito afastado informou que não irá comentar o caso no momento. As acusações foram apuradas pela Polícia Federal durante a Operação Copia e Cola, que investiga desvios de verbas em contratos para a administração de duas unidades de saúde do município.

Crimes apontados na denúncia do MPF

Os investigados foram denunciados por uma série de crimes graves, conforme detalhado pelo MPF. A lista inclui:

  • Organização criminosa
  • Peculato
  • Corrupção passiva e ativa
  • Lavagem de dinheiro
  • Contratação direta ilegal
  • Frustração de competição em licitação

Na denúncia, a procuradora responsável pelo caso solicita a decretação da perda do cargo do prefeito afastado. Além disso, pede que ele seja impedido de se candidatar e ocupar cargos públicos por um período de cinco anos.

Relação criminosa teria começado antes do mandato, segundo PF

A Polícia Federal afirma que a relação entre Rodrigo Manga e a entidade investigada, a Aceni, teria se iniciado antes mesmo de ele assumir o mandato. A investigação revelou indícios de que o prefeito afastado negociou com a organização suspeita de pagar propinas ainda durante o período eleitoral.

Os investigadores apontam que um representante da Aceni cobrou uma parceria do secretário municipal antes da formalização do contrato com a prefeitura. Adicionalmente, há suspeitas de que Rodrigo Manga utilizou dinheiro vivo para adquirir um imóvel de luxo, o que reforçaria as acusações de lavagem de capitais.

Lista completa dos denunciados pelo MPF

Além do prefeito afastado e da primeira-dama, outras onze pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal. Conheça os envolvidos:

  1. Josivaldo Batista de Souza: cunhado de Rodrigo Manga e bispo de uma igreja evangélica. Foi preso em fase anterior da operação e atualmente usa tornozeleira eletrônica.
  2. Simone Frate de Souza: cunhada do prefeito afastado e irmã de Sirlange Maganhato. Não foi presa, mas também está com tornozeleira eletrônica.
  3. Marco Silva Mott: empresário apontado como operador financeiro do esquema. Preso anteriormente e atualmente com tornozeleira eletrônica.
  4. Rafael Pinheiro do Carmo: amigo de Rodrigo Manga. Comprou uma casa e só depois informou que a transação era para o prefeito afastado.
  5. Cláudio Cenci Guimarães: esposa de Rafael e participante da compra da casa.
  6. Fausto Bossolo: ex-secretário de Administração do prefeito afastado.
  7. Vinícius Rodrigues: ex-secretário de Saúde do prefeito afastado.
  8. Paulo Korek: dono da Aceni, mas não aparece como proprietário na documentação oficial.
  9. Anderson Luiz Santana: integrante da Aceni.
  10. Sérgio Peralta: dono da Aceni, conforme os documentos oficiais.
  11. Zoraide Batista Maganhato: mãe de Rodrigo Manga. Suspeita de lavagem de dinheiro na compra de um apartamento.

A defesa de Paulo Korek informou que respeita o trabalho da Polícia Federal e demonstrará a inocência do cliente. A TV TEM tentou contato com os advogados dos outros denunciados, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Operação Copia e Cola e investigações anteriores

A investigação que deu origem à denúncia começou em maio de 2022, com o objetivo de apurar a contratação indevida da Aceni pela Prefeitura de Sorocaba. Segundo a Polícia Federal, o trabalho revelou indícios de uma trama criminosa utilizada para dilapidar os cofres públicos.

O esquema teria se iniciado com o contrato emergencial da UPA do Éden e, posteriormente, se estendido para a então UPH da Zona Oeste, atual UPA da Zona Oeste. A operação faz parte de um contexto mais amplo de investigações sobre corrupção e desvios na administração pública municipal.