Investigador da Polícia Civil é indiciado por estupro de detenta em delegacia de Sorriso
O investigador da Polícia Civil Manoel Batista da Silva, de 52 anos, foi formalmente indiciado nesta sexta-feira, dia 6, pelos crimes de estupro e abuso de autoridade. A decisão ocorreu após a conclusão do inquérito que apurou uma violência sexual cometida contra uma mulher detida dentro da delegacia de Sorriso, localizada a 420 quilômetros de Cuiabá, no estado de Mato Grosso.
Detalhes do crime e investigação
Segundo as informações da Polícia Civil, o crime aconteceu enquanto a vítima estava presa na unidade policial, após o cumprimento de um mandado de prisão temporária relacionado a um homicídio. A denúncia chegou à delegacia na primeira quinzena de dezembro de 2025, por meio de uma requisição do Ministério Público, que deu início ao processo investigativo.
Durante a apuração, a polícia ouviu diversas testemunhas, incluindo outras detentas que dividiam cela com a vítima, policiais plantonistas e o próprio servidor apontado como suspeito. Além disso, foram solicitados exames periciais específicos, como a comparação do material genético do investigado com o material biológico coletado da mulher agredida.
Confirmação genética e medidas judiciais
O laudo pericial confirmou a compatibilidade genética, o que levou a delegacia a solicitar a prisão preventiva do investigador, juntamente com mandados de busca e apreensão e a quebra do sigilo de dados telefônicos. Todas essas medidas foram autorizadas pela Justiça e cumpridas no último domingo, dia 1º.
Após passar por uma audiência de custódia, Manoel Batista da Silva foi encaminhado para a Cadeia Pública de Chapada dos Guimarães, situada a 65 quilômetros de Cuiabá, onde permanece preso atualmente. O g1 tenta localizar a defesa do investigador para obter mais esclarecimentos sobre o caso.
Relato da vítima e contexto do crime
A detenta denunciou que foi estuprada aproximadamente quatro vezes pelo investigador em dezembro do ano passado. Na época, ela estava detida após ser apontada por participação em um crime, mas foi solta posteriormente por falta de provas concretas. Logo após a libertação, ela relatou o caso ao seu advogado e, em seguida, procurou o Ministério Público para formalizar a denúncia de forma oficial.
De acordo com a declaração da defesa, o investigador retirava a mulher da cela e a levava para uma sala vazia dentro da delegacia. Nas quatro ocasiões, segundo o advogado, o abusador ordenou que a vítima ficasse em silêncio, sob a ameaça explícita de matar a filha dela, que é menor de idade, aumentando o grau de violência e coação do crime.
Outras investigações e vazamento de mensagens
A delegada responsável pelo caso, Layssa Crisóstomo, informou que outras presas foram ouvidas durante as investigações, mas, até a publicação desta reportagem, não houve novas denúncias contra o policial envolvido. No entanto, o caso ganhou contornos adicionais com o vazamento de mensagens de um celular funcional da Delegacia da Polícia Civil de Sorriso.
Essas mensagens, que indicam comentários ofensivos sobre detentas e possíveis práticas irregulares citadas por policiais em um grupo de WhatsApp, foram obtidas após o aparelho ser furtado no início de dezembro do ano passado, dias antes de uma presa denunciar que foi estuprada na unidade. Esse contexto levanta questões sobre a cultura e os procedimentos dentro da delegacia, ampliando a discussão sobre segurança e direitos humanos no sistema policial brasileiro.