Prefeito de Macapá renuncia após ser afastado pelo STF em investigação de desvio milionário
O prefeito de Macapá, Antônio Paulo de Oliveira Furlan, conhecido como Dr. Furlan (PSD), oficializou sua renúncia ao cargo máximo do município nesta quinta-feira, 5 de março de 2026. A decisão ocorre apenas um dia após o chefe do Poder Executivo local ter sido afastado de suas funções por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Operação Paroxismo investiga esquema criminoso de R$ 129 milhões
De acordo com as investigações no âmbito da Operação Paroxismo, há fortes indícios da existência de um esquema criminoso sofisticado, envolvendo agentes públicos e empresários. O foco das apurações está no direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro no projeto de engenharia e execução das obras do Hospital Geral Municipal da cidade.
O montante desviado chega a quase R$ 129 milhões, provenientes de emendas parlamentares que deveriam ser destinadas à saúde pública. A complexidade do esquema e os valores envolvidos chamaram a atenção das autoridades federais, levando à intervenção do STF.
Medidas cautelares determinadas pelo ministro Flávio Dino
Na decisão que antecedeu a renúncia, o ministro Flávio Dino autorizou medidas rigorosas contra os investigados:
- Busca e apreensão em endereços indicados pela Polícia Federal
- Quebra do sigilo bancário e fiscal de Antônio Furlan
- Extensão da quebra de sigilo para a primeira-dama, ex-mulher e outros 10 investigados
- Afastamento de cargos de outros envolvidos na administração municipal
Também foram afastados temporariamente de suas funções o vice-prefeito Mario Rocha de Matos Neto (Podemos), a secretária de Saúde Erica Aranha de Sousa Aymoré e Walmiglisson Ribeiro da Silva, integrante da Comissão Especial de Licitação do município.
Furlan apontado como principal beneficiário do esquema
Em sua decisão, o ministro Flávio Dino foi enfático ao caracterizar o papel do prefeito no esquema delitivo. "Os autos evidenciam que o investigado Antônio Paulo de Oliveira Furlan, prefeito do município de Macapá/AP, é o principal beneficiário político e, com elevado grau de plausibilidade, também patrimonial do esquema delitivo", afirmou o magistrado.
O documento judicial detalha ainda que Furlan teria se valido de sua condição hierárquica, influência funcional e rede pessoal de confiança para assegurar a operacionalização, ocultação e dissimulação dos valores desviados. A gravidade dos fatos, aliada à sofisticação dos mecanismos de blindagem do agente público, justificou a medida cautelar de afastamento proporcional à sua condição funcional.
Quanto ao vice-prefeito, a decisão o aponta como "corresponsável pela condução da gestão municipal, na medida em que integra a estrutura decisória do Executivo local", indicando que as investigações continuam para apurar o nível de envolvimento de cada um dos afastados.
Impacto político e administrativo na capital amapaense
A renúncia do prefeito, seguida do afastamento de outros membros-chave da administração, cria um cenário de instabilidade política e administrativa em Macapá. A população, que aguardava a conclusão das obras do Hospital Geral Municipal, agora se vê diante de um escândalo de proporções significativas que envolve recursos destinados à saúde pública.
O caso representa mais um capítulo na luta contra a corrupção no Brasil, com o STF demonstrando atuação firme em investigações que envolvem desvios de recursos públicos em esferas municipais. As investigações da Operação Paroxismo continuam em andamento, com expectativa de novas descobertas sobre a extensão do esquema criminoso.
