Uma entrevista concedida em novembro de 2025 pela porta-voz do partido governista mexicano Morena voltou a gerar intensa polêmica nesta semana, reacendendo o debate sobre segurança e economia no país. As declarações de Adriana Marín, que ligou o narcotráfico à geração de empregos, viralizaram em um momento de alta tensão política na América Latina.
As polêmicas declarações que ressurgiram
Adriana Marín, chefe de comunicação digital do Morena no Congresso da Cidade do México, participou do programa "Razonados", do jornal mexicano La Razón, em novembro do ano passado. Na ocasião, ela afirmou que o combate ao crime organizado é uma tarefa complexa porque, em muitas regiões, o narcotráfico representa a única opção de emprego para a população.
Marín apresentou números contundentes: segundo ela, o crime organizado recruta entre 160 mil e 185 mil pessoas por ano. Além disso, precisaria repor de 350 integrantes por semana devido a perdas por assassinatos ou prisões. A porta-voz questionou qual seria o destino dessas pessoas se o tráfico fosse erradicado sem que houvesse alternativas econômicas.
Contexto político tenso e reações
O ressurgimento do vídeo ocorre em um cenário político particularmente delicado. O México se prepara para as eleições de 2027 e vive um período de debate sobre reformas importantes. Paralelamente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou intervir no país para controlar o tráfico de drogas, chegando a oferecer o envio de tropas americanas – proposta rejeitada pela presidente mexicana, Claudia Sheinbaum.
Na entrevista original, Marín também contestou a posição do governo sobre uma grande marcha da Geração Z, ocorrida em novembro de 2025. A manifestação expressava o descontentamento dos jovens com a violência e com a política de segurança do governo Sheinbaum, especialmente após o assassinato do prefeito Carlos Manzo.
O posicionamento oficial do partido Morena
Diante da repercussão negativa, o Grupo Parlamentar Morena se apressou em se distanciar das falas de sua colaboradora. Em um comunicado publicado na rede social X (antigo Twitter), a legenda afirmou que o narcotráfico é um "fenômeno criminoso que deve ser combatido" com a lei, inteligência e políticas sociais que ataquem as causas profundas do problema.
A administração do Morena no Congresso da Cidade do México emitiu uma nota esclarecendo que as declarações foram feitas "a título pessoal" e não representam a opinião do grupo parlamentar. No entanto, o partido também condenou o assédio e o discurso de ódio direcionados a Adriana Marín, defendendo o debate respeitoso.
O episódio revela as complexas e espinhosas discussões sobre segurança pública e desenvolvimento econômico no México. Enquanto a fala de Marín tenta apontar para uma realidade socioeconômica cruel em certas regiões, a reação do partido demonstra o risco político de se abordar o tema fora do discurso oficial de combate irrestrito ao crime. A polêmica deve ecoar nos próximos capítulos da conturbada relação entre México e Estados Unidos no governo Trump.