Plano de Vorcaro no STF é frustrado com substituição de Toffoli por Mendonça
Plano de Vorcaro no STF é frustrado com troca de relator

Plano jurídico de Vorcaro no Supremo é desmontado com mudança de relator

A saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF) e sua substituição por André Mendonça frustraram completamente a estratégia jurídica que havia sido cuidadosamente alinhavada por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Segundo interlocutores próximos ao empresário, o plano original previa que Vorcaro confessasse apenas o crime de gestão temerária, uma manobra que permitiria o deslocamento do processo para a primeira instância e o pagamento de uma multa vultosa para encerrar o caso.

Estratégia baseada na presença de Toffoli

O ardil jurídico contava como premissa fundamental a manutenção de Dias Toffoli na relatoria das investigações. Essa expectativa, no entanto, desmoronou quando a Corte Suprema, pressionada pelas revelações de que o magistrado foi sócio de um resort vendido a um fundo ligado ao Master, decidiu transferir o caso para outro ministro. A escolha recaiu sobre André Mendonça, alterando drasticamente o cenário processual.

O crime de gestão temerária, que era o foco da estratégia inicial de Vorcaro, caracteriza-se pelo desprezo às normas de administração de uma instituição financeira. Dois exemplos concretos ilustram essa conduta: em 18 de novembro de 2025, data da liquidação do Master pelo Banco Central, os valores disponíveis em caixa eram dez vezes menores do que o fluxo de CDBs com vencimento naquele dia, enquanto o estoque de compulsórios recolhidos representava menos de 1% do exigido pelo BC.

Diferenças entre gestão temerária e fraudulenta

A hipótese de gestão temerária tinha como objetivo principal afastar a imputação do crime mais grave de gestão fraudulenta, que prevê penas de até doze anos de prisão e exige a comprovação de atuações dolosas e má-fé na administração do banco. O crime de gestão temerária, por sua vez, prevê pena de dois a oito anos de reclusão, além de multa que interlocutores de Vorcaro estimavam em centenas de milhões de reais – valor que ele estaria disposto a pagar para encerrar o processo.

O escândalo do Master, que envolve a controversa venda da instituição para o BRB com repasse de papéis podres em uma fraude superior a 12 bilhões de reais, ultrapassa a marca total de 50 bilhões de reais em prejuízos, configurando-se como o maior escândalo financeiro da história do país.

Novo cenário com André Mendonça

Com a ascensão de André Mendonça como novo relator, interlocutores de Vorcaro acreditam que há agora menos margem para negociação. O magistrado tem declarado a pessoas próximas que, por cautela, pretende manter todo o caso no âmbito do STF para evitar eventuais nulidades e atrasos na investigação. Mendonça teme que, se declinar imediatamente da competência e remeter a investigação para a primeira instância, a eventual menção a figurões da política com foro privilegiado faria o processo retornar à Corte, causando suspensões temporárias e retrocessos processuais.

CPI do Crime Organizado avança

Paralelamente às investigações no STF, a CPI do Crime Organizado avança em seu trabalho de apuração. Em votação turbulenta, com acusações de manipulação de votos, o colegiado aprovou a quebra dos sigilos fiscal e bancário de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, e determinou a elaboração de um relatório de inteligência financeira sobre suas movimentações entre 2022 e 2026. A CPI também tenta fechar o cerco contra familiares do ministro Toffoli, embora Mendonça tenha permitido que dois irmãos do ex-relator, sócios do resort Tayayá, não sejam obrigados a comparecer ao colegiado.

O caso Master continua a se desdobrar em múltiplas frentes, com a estratégia de defesa de Daniel Vorcaro tendo que se adaptar a um cenário processual mais adverso e complexo, onde as investigações no STF e os trabalhos da CPI do Crime Organizado avançam simultaneamente, aumentando a pressão sobre todos os envolvidos no maior escândalo financeiro brasileiro.