PF desarticula esquema de corrupção eleitoral com compra de votos e candidaturas fantasmas em Juazeiro
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 7 de abril de 2026, uma operação de grande impacto em Juazeiro, na Bahia, que resultou no afastamento de dois vereadores do União Brasil por envolvimento em um amplo esquema de corrupção eleitoral. A ação, batizada de Operação Promitente, investiga práticas ilícitas como compra de votos, candidaturas fantasmas e manipulação de resultados eleitorais, abalando a política local da cidade de 254 mil habitantes, situada a aproximadamente 500 quilômetros de Salvador.
Fraudes eleitorais e burla às cotas de gênero
O estopim das investigações foi a identificação de três candidaturas consideradas fantasmas, articuladas pelos vereadores Hitallo Marcelino e Anderson Alves da Cruz, ambos do União Brasil, em conluio com o Democracia Cristã (DC). Segundo o inquérito da PF, os parlamentares ofereceram pagamentos de até 5.000 reais a Rafaela Barros, Josileide da Conceição e Marinalva de Jesus para que se candidatassem à Câmara Municipal sem qualquer intenção real de realizar campanhas eleitorais.
O objetivo do esquema era desviar os recursos do fundo eleitoral recebidos por essas candidatas para financiar campanhas masculinas, burlando assim as cotas de gênero estabelecidas pela legislação eleitoral. Para dar uma aparência de legitimidade à fraude, os vereadores teriam subornado uma gráfica local para imprimir uma quantidade mínima de santinhos da candidatura de Rafaela Barros, criando uma fachada de campanha que não existia de fato.
Compra de votos e manipulação de resultados
Além das candidaturas forjadas, os investigados estariam envolvidos em um esquema de compra de votos que também incluiria o vereador Mauricio Siqueira, conhecido como Broderzinho do DC. As investigações estimam que, entre agosto e outubro, eram gastos semanalmente entre 15.000 e 20.000 reais para distribuir a lideranças comunitárias e religiosas em troca de apoio nas urnas, comprometendo a lisura do processo democrático.
O grupo ainda teria convencido Marinalva de Jesus a confessar a fraude em cartório, com o objetivo de invalidar sua candidatura e, consequentemente, a vitória eleitoral do vereador Renan Fonseca (DC). Essa manobra permitiu uma reconfiguração das cadeiras na Câmara Municipal, abrindo espaço para que Anderson Alves, um dos alvos da operação, assumisse uma vaga de forma ilegítima.
Consequências imediatas e medidas judiciais
Como resultado direto da operação, Hitallo Marcelino e Anderson Alves foram afastados dos cargos de vereadores e proibidos de adentrar a Câmara Municipal de Juazeiro, além de terem restrições de contato com servidores do Executivo e Legislativo municipais. Hitallo, que também ocupava o cargo de presidente municipal do União Brasil, foi suspenso da função, reforçando o impacto político do caso.
A operação da PF destaca a gravidade das fraudes eleitorais e a necessidade de vigilância constante sobre os processos democráticos, especialmente em contextos locais onde a corrupção pode minar a confiança pública. As investigações continuam em andamento, com possibilidade de novas medidas e desdobramentos que podem afetar outros envolvidos no esquema.



