Em uma ação que integra investigações sobre organização criminosa dedicada ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Durante a operação, os agentes encontraram uma adega de vinhos repleta de diversos rótulos em um imóvel associado ao deputado estadual Rodrigo Bacellar, do União Brasil, que está entre os indiciados pela suspeita de conexões com a facção criminosa Comando Vermelho.
Detalhes da apreensão e contexto da investigação
Os mandados judiciais foram expedidos pela Justiça Federal e executados em endereços atribuídos a Bacellar e a outros três investigados. No local de Teresópolis, além de documentos considerados relevantes para o inquérito, a Polícia Federal se deparou com uma adega contendo dezenas de garrafas de vinho e itens que incluíam o rosto do deputado. Todos esses objetos foram apreendidos e agora estão sob análise de peritos, que buscam evidências para elucidar as acusações.
Indiciamentos e suspeitas de vazamento de informações
Nesta sexta-feira, 27 de dezembro, Rodrigo Bacellar, o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, e mais três indivíduos – Flávia Júdice Neto, Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado – foram formalmente indiciados pela Polícia Federal. As suspeitas recaem sobre o vazamento de informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho, uma facção criminosa com atuação no tráfico de drogas.
Vale destacar que o desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, Macário Judice Neto, que chegou a ser preso durante as investigações, não foi indiciado. Conforme explicado pela Polícia Federal, essa decisão se baseia nas regras estabelecidas pela Lei Orgânica da Magistratura, que prevê procedimentos específicos para a responsabilização de magistrados, garantindo um tratamento diferenciado no processo legal.
Histórico recente dos envolvidos e medidas judiciais
Rodrigo Bacellar, que atualmente está licenciado da presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, foi preso no dia 3 de dezembro pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne. Ele é suspeito de ter vazado informações confidenciais relacionadas à Operação Zargun, deflagrada em setembro, na qual o então deputado estadual TH Joias foi detido. No dia 9 de dezembro, Bacellar deixou a prisão após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a substituição da detenção por medidas cautelares, permitindo sua liberdade sob condições específicas.
TH Joias, por sua vez, foi preso por acusações de tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, com suspeitas de negociar armas para o Comando Vermelho. Ele assumiu o mandato de deputado estadual em junho, mas perdeu o cargo após sua prisão, marcando um episódio turbulento na política fluminense.
Posicionamento das defesas e desdobramentos do caso
A defesa do ex-deputado TH Joias negou veementemente qualquer participação dele em vazamentos de informações ou conexões com organizações criminosas no Rio de Janeiro. Em declaração, o advogado Rafael Faria afirmou: "Sua relação com o deputado Rodrigo Bacellar era uma relação urbana, uma relação de parlamento entre colegas de parlamento. Assim como TH Joias jamais conheceu e sequer teve qualquer contato com o desembargador Macário ou qualquer outro personagem deste inquérito policial e desta confusão em que meu cliente se encontra."
O g1 continua tentando estabelecer contato com as defesas dos demais acusados para obter mais esclarecimentos sobre as acusações. A operação da Polícia Federal segue em andamento, com análises aprofundadas dos itens apreendidos, incluindo a adega de vinhos, que pode fornecer pistas cruciais para desvendar os laços suspeitos entre políticos e o crime organizado no estado.



