Operação 2º Tempo investiga desvio milionário de verbas públicas em Tocantinópolis
A Polícia Civil do Tocantins realizou, na manhã desta quinta-feira (12), a Operação 2º Tempo, com o objetivo de desarticular um suposto esquema de desvio de recursos públicos do município de Tocantinópolis. Os valores eram destinados a um clube de futebol local, e o prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa a impressionante cifra de R$ 5,1 milhões.
Mandados cumpridos em locais estratégicos
A ação, conduzida pela 1ª Divisão de Repressão ao Crime Organizado (Deic), cumpriu oito mandados de busca e apreensão em casas, órgãos públicos e na sede da entidade esportiva. Para o cumprimento das diligências, foram mobilizados 34 policiais civis, entre investigadores e peritos, que atuaram em locais estratégicos, incluindo setores da Prefeitura Municipal de Tocantinópolis.
Entre os investigados está um policial militar da ativa, fato que levou a Polícia Militar do Tocantins a prestar apoio durante a operação. Documentos administrativos, dispositivos eletrônicos e registros contábeis foram apreendidos para subsidiar a continuidade das investigações.
Esquema criminoso estruturado em três eixos
As investigações da Polícia Civil, fundamentadas em relatórios de inteligência financeira do Coaf, apontaram que o desvio de verbas era estruturado em três eixos principais:
- Repasses irregulares: Gestores municipais autorizavam a transferência de recursos públicos ao clube, ignorando decisões do Tribunal de Contas do Estado (TCE/TO) que já haviam apontado a ilegalidade de tais atos.
- Entidade de fachada: Para a polícia, o clube era utilizado como uma estrutura de fachada, com a falsificação de documentos, como atas e recibos, para simular a legalidade das transferências, que não possuíam relação com o interesse público ou atividades esportivas reais.
- Lavagem de dinheiro: Após chegarem às contas do clube, os valores eram redistribuídos para contas pessoais de dirigentes e terceiros, além de serem realizados saques em espécie para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Histórico de irregularidades desde 2009
Segundo a polícia, o fluxo de repasses investigado ocorre de forma contínua desde 2009, estendendo-se até 2024. As irregularidades eram de conhecimento das autoridades desde 2007, quando o TCE/TO julgou irregular a prestação de contas daquele ano devido à ausência de autorização legal para as transferências.
O prefeito Fabion Gomes informou que os pagamentos ao time foram cancelados durante sua gestão por ordem judicial, mas os repasses de gestões anteriores foram feitos com base em uma legislação do município. O g1 pediu posicionamento do Tocantinópolis Esporte Clube, mas não houve resposta até a última atualização desta reportagem.
O esquema é investigado pelos crimes de peculato, falsidade ideológica, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O nome da operação, 2º Tempo, faz alusão à continuidade do combate a esquemas ilícitos que utilizam o esporte como instrumento para práticas criminosas.
