Notificação de Paulo Figueiredo emperra há quatro meses nos Estados Unidos
O Ministério da Justiça informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a notificação do influenciador e economista Paulo Figueiredo, neto do ex-ditador João Figueiredo, está parada há quatro meses nos Estados Unidos. Figueiredo é acusado de tentar obstruir o andamento da Justiça brasileira, em um caso que também envolve o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
Ofício revela falta de resposta das autoridades americanas
Em um ofício apresentado nesta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, o Ministério da Justiça afirmou que, desde outubro do ano passado, a pasta está sem resposta das autoridades americanas, mesmo após reiterar o pedido de notificação mais de uma vez. “Informamos que solicitamos novamente informação atualizada às autoridades requeridas e, assim que recebermos qualquer resposta, esta lhe será prontamente encaminhada”, diz trecho do documento.
Figueiredo responde a duas ações penais no STF:
- Uma delas é o caso do golpe de estado, onde ele é o único acusado no núcleo cinco. A Procuradoria-Geral da República (PGR) alega que ele ajudou a disseminar notícias falsas que contribuíram para criar um clima golpista.
- A outra ação penal envolve Eduardo Bolsonaro, e é neste caso que a notificação está parada. Ambos foram acusados de tentar impedir o trabalho da Justiça brasileira, ao articularem sanções contra autoridades nacionais, como a sobretaxa na importação de produtos brasileiros (conhecida como tarifaço) e a aplicação da Lei Magnitsky, que posteriormente foi revogada pelos EUA.
Admissões públicas e desafios jurídicos
Tanto Eduardo Bolsonaro quanto Paulo Figueiredo admitiram publicamente, em várias ocasiões em suas redes sociais, que se encontraram com lideranças da direita e do governo americano para influenciar essas medidas contra brasileiros. Inicialmente, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, considerou Figueiredo intimado devido a uma série de publicações nas redes sociais, onde o influenciador afirmava conhecer a existência da ação penal e chegou a desafiar o ministro a interrogá-lo.
A Defensoria Pública chegou a apresentar a primeira defesa de Figueiredo, mas como ele mora nos EUA há mais de uma década e tem endereço fixo, Moraes determinou que ele seja notificado em solo estrangeiro. No entanto, essa diligência depende da expedição de uma carta rogatória, que precisa ter andamento das autoridades americanas – algo que, segundo o Ministério da Justiça, não ocorreu.
O ofício apresentado ao Supremo não menciona os possíveis motivos para essa demora, deixando em aberto as razões pelas quais as autoridades dos Estados Unidos ainda não responderam ao pedido de notificação. A situação destaca os desafios jurídicos internacionais em casos que envolvem figuras públicas e acusações de interferência na Justiça.



