MP investiga fraudes em estradas rurais de SP com reparos na Zona Sul na gestão Rodrigo Garcia
MP investiga fraudes em estradas rurais de SP na gestão Rodrigo Garcia

MP investiga suposto esquema de fraudes em obras de estradas rurais na gestão de Rodrigo Garcia

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) está investigando um suposto esquema de fraudes em contratos para obras de estradas rurais que incluem reparos na Zona Sul da capital paulista, firmados durante a gestão do ex-governador Rodrigo Garcia. Embora a maior parte das obras investigadas esteja no interior do estado, o MP afirma que há contratos na capital sob suspeita, entre eles o da Estrada do Gramado, em Parelheiros, no extremo sul da cidade.

Mais de 350 obras do programa Melhor Caminho sob análise

Segundo a investigação, a recuperação da via integra o conjunto de mais de 350 obras da Secretaria de Agricultura analisadas por suspeita de irregularidades no âmbito do programa Melhor Caminho, voltado à recuperação de estradas rurais. Os contratos foram assinados em 2022, último ano da gestão Rodrigo Garcia, que assumiu o cargo depois que João Doria deixou o governo para disputar a Presidência e permaneceu até ser sucedido por Tarcísio de Freitas.

De acordo com o Ministério Público, o governo estadual autorizou aditivos contratuais após pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro apresentados por empresas executoras. O MP sustenta que as justificativas eram padronizadas e sem comprovação técnica, e que os reajustes foram concedidos inclusive para obras paralisadas ou não iniciadas.

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Obra em Parelheiros com valor aditivado e execução questionada

No caso específico de Parelheiros, o contrato previa R$ 3,032 milhões para reparos na Estrada do Gramado e em outras duas vias do bairro, totalizando 19 quilômetros. Com um aditivo autorizado pela Secretaria de Agricultura, o valor foi acrescido em R$ 146 mil. Moradores da região afirmam que a obra não avançou além de serviços pontuais, enquanto o governo do estado afirma que a execução atingiu 62% e que os pagamentos foram proporcionais ao avanço dos serviços.

A investigação também aponta que empresas chegaram a simular canteiros de obras para liberar pagamentos iniciais, com relatos de estruturas montadas apenas com cadeiras de plástico e guarda-sóis para justificar desembolsos públicos.

Prejuízo estimado em R$ 50 milhões e ações judiciais em andamento

O Ministério Público estima um prejuízo de R$ 50 milhões aos cofres públicos e já ingressou com 17 ações judiciais, pedindo o bloqueio de bens das empresas envolvidas e do ex-secretário de Agricultura Francisco Matturro. A promotoria informou que pretende propor novas ações para tentar recuperar os valores pagos indevidamente.

Entre as irregularidades identificadas estão:

  • Obras aprovadas com base apenas em fotografias
  • Uso da mesma imagem para validar serviços diferentes em municípios distintos
  • Aditivos contratuais concedidos sem comprovação técnica adequada
  • Reajustes baseados em justificativas padronizadas sobre aumento do diesel, pandemia e guerra

Defesas apresentadas pelos investigados

Em nota, Francisco Matturro afirmou que atuou em conformidade com a legislação e que os aditivos contratuais foram precedidos de análise técnica e aval da Procuradoria-Geral do Estado. Rodrigo Garcia disse que apoia a investigação de qualquer irregularidade, que suas contas foram aprovadas pelos órgãos de controle e que seus atos como governador não são alvo da apuração.

A empresa Rodoserv Engenharia não respondeu aos questionamentos da reportagem. A atual gestão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento informou que colabora com as investigações, reforçou os mecanismos de fiscalização e que as obras citadas em Caçapava e Novo Horizonte, que apresentaram deterioração precoce, já foram refeitas.

Casos específicos de irregularidades identificadas

A investigação identificou situações graves em diversas regiões do estado. Em Itajobi, perto de Catanduva, a mesma estrada foi incluída em dois contratos diferentes, e duas empresas receberam valores pela mesma obra. Em Caçapava, no Vale do Paraíba, e em Novo Horizonte, na região de Rio Preto, vias entregues no fim da gestão Rodrigo Garcia apresentaram sinais de deterioração pouco tempo após a conclusão.

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Segundo o promotor Sílvio Marques, as alegações usadas para justificar os reajustes não se sustentam tecnicamente. "À época dos reajustes, o preço dos combustíveis estava em queda, a pandemia já era conhecida e a guerra não havia impactado os custos das obras. Era uma afirmação absolutamente mentirosa", afirmou o representante do Ministério Público.

A Prefeitura de São Paulo informou separadamente que a pavimentação da Estrada do Gramado está em fase de licitação, com previsão de início ainda no primeiro semestre deste ano, indicando que a via continua necessitando de intervenções estruturais.