Michelle Bolsonaro e Tarcísio intercederam no STF antes da transferência de Bolsonaro
Michelle e Tarcísio atuaram no STF por Bolsonaro

Horas antes da decisão que transferiu o ex-presidente Jair Bolsonaro para a sede do batalhão da Polícia Militar conhecida como "Papudinha", sua esposa, Michelle Bolsonaro, manteve uma conversa com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A informação, revelada pelo portal Metrópoles, mostra a movimentação política em torno do caso.

Intermediação política e pedidos de ajuda

A conversa entre Michelle Bolsonaro e o ministro Alexandre de Moraes foi intermediada pelo vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), conforme relataram fontes partidárias sob anonimato. O encontro ocorreu na manhã da quinta-feira (15), mesmo dia em que a decisão foi emitida, por volta das 17h.

Segundo pessoas próximas aos bastidores, Michelle solicitou a audiência com Moraes no início da semana, demonstrando preocupação com a saúde do ex-presidente. Bolsonaro passou por uma cirurgia no final do ano passado e, após o procedimento, sofreu uma queda dentro da cela da Polícia Federal.

O parlamentar Altineu Côrtes esteve com o ministro na quarta-feira (14) para informar sobre o desejo da ex-primeira-dama. Moraes teria se mostrado aberto a escutá-la. Michelle também se reuniu com o decano do STF, ministro Gilmar Mendes, a quem pediu ajuda diretamente para a concessão da prisão domiciliar.

Pressão ampliada e agradecimentos públicos

Paralelamente às articulações nos bastidores, Michelle Bolsonaro agradeceu publicamente, por meio de um vídeo, a um grupo de deputados federais que também pediram ao Supremo a transferência do ex-presidente para casa. "Sigamos firmes. Sejamos fortes e corajosos! Muito obrigada. Que Deus os abençoe", escreveu ela.

Em um gesto dirigido à Polícia Federal, a ex-primeira-dama ainda agradeceu à corporação nas redes sociais. "Sou grata a todos da PF que, durante o período em que o meu amor esteve lá, cuidaram dele com atenção, auxiliando nas medicações e nas refeições", afirmou.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também entrou na linha de ação. Nos últimos dias, ele procurou ministros do STF para defender a prisão domiciliar para Bolsonaro. Tarcísio conversou com Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e outros dois integrantes da corte.

A transferência como "redução de danos" e a insistência na domiciliar

A transferência para a "Papudinha", apelido da sede de um batalhão da PM perto do Complexo Penitenciário da Papuda, foi vista pelo entorno bolsonarista como uma vitória parcial. Considerada uma "redução de danos", a nova cela oferece uma estrutura significativamente melhor do que a da superintendência da PF.

No entanto, líderes políticos aliados continuam a pressionar pela prisão domiciliar. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), declarou que Alexandre de Moraes "submete Bolsonaro a risco de morte". Já o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), foi enfático: "A gente não quer Papuda ou Papudinha. A gente quer ele em casa".

Diferenças entre as celas na PF e na Papudinha

Tamanho e estrutura: Na superintendência da PF, a cela tinha aproximadamente 12 m², comportando uma pessoa. Na Papudinha, o espaço total é de cerca de 65 m² (55 m² cobertos e 10 m² de área externa), projetado para até quatro pessoas, mas de uso exclusivo de Bolsonaro.

Ambientes: Enquanto na PF havia apenas quarto e banheiro, na nova cela há quarto, banheiro, sala, cozinha, lavanderia e uma área externa com mesa e cadeiras.

Visitas: O regime de visitas também foi ampliado. Na PF, ocorriam às terças e quintas, das 9h às 11h, com limite de 30 minutos por visitante. Na Papudinha, as visitas podem ocorrer às quartas e quintas, em três horários possíveis (8h-10h; 11h-13h; 14h-16h), com duração máxima de 2 horas por visitante e permissão para visitas simultâneas.