Empresário da Havan protagoniza protesto polêmico contra deputada do PSOL
O empresário Luciano Hang, proprietário da rede varejista Havan e conhecido por suas posições políticas alinhadas à direita, protagonizou um protesto inusitado nas redes sociais nesta sexta-feira, 20 de março de 2026. Em um vídeo amplamente compartilhado, Hang aparece usando uma peruca loira e vestindo roupas femininas enquanto faz críticas diretas à deputada federal Erika Hilton, do PSOL de São Paulo.
Referência direta à eleição da comissão
No material publicado, o empresário questiona de forma irônica se usar uma peruca loira e roupas femininas o faria compreender os verdadeiros problemas enfrentados pelas mulheres no Brasil. "Colocar uma peruca loira, uma roupa feminina, me faz conhecer os verdadeiros problemas de uma mulher? Será? Eu aqui agora, vestido assim, vou me candidatar a presidenta de honra da comissão dos cafés das mulheres aqui da minha cidade. Será que eu me elejo?", provocou Hang em clara referência à recente eleição da deputada Erika Hilton como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados.
Reações divididas nas redes sociais
A publicação gerou imediata repercussão nas plataformas digitais, com comentários fortemente divididos entre apoiadores e críticos do empresário. Uma usuária do Instagram afirmou: "Tudo que vem de você é puro suco do preconceito", enquanto outro seguidor questionou: "Quero saber quem está fazendo alguma coisa para proteger as mulheres, todo dia tem um conservador de família matando as mulheres, mas o problema é a Erika Hilton".
Repetição de ato já condenado judicialmente
O protesto de Luciano Hang reproduz exatamente a mesma estratégia utilizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, em março de 2023. Na ocasião, o parlamentar também usou peruca e roupas femininas durante sessão na Câmara dos Deputados, ato pelo qual foi posteriormente condenado pela Justiça a pagar uma indenização de 200 mil reais por dano moral coletivo. A repetição do gesto por parte do empresário da Havan reacende o debate sobre os limites do protesto político e a judicialização de manifestações consideradas ofensivas por setores da sociedade.
A polêmica ocorre em um contexto de crescente polarização política no Brasil, onde figuras públicas utilizam cada vez mais as redes sociais para manifestações que misturam humor, crítica política e elementos performáticos. Especialistas em comunicação política alertam que tais atos, embora gerem grande engajamento digital, frequentemente aprofundam divisões sociais em vez de promover debates substantivos sobre políticas públicas para mulheres.



