Ex-prefeito de Lajeado é solto após prisão em operação sobre desvio de verbas das enchentes
A Justiça Federal determinou a soltura do ex-prefeito de Lajeado, na Região dos Vales do Rio Grande do Sul, Marcelo Caumo. Ele havia sido preso na quinta-feira, 26 de setembro, durante uma operação da Polícia Federal que investiga possíveis desvios de recursos públicos destinados à recuperação dos estragos causados pelas enchentes que atingiram o estado em 2024.
Liberação ocorreu após depoimento e fim do prazo de prisão temporária
Caumo foi liberado no início da noite de segunda-feira, 2 de outubro, após prestar depoimento às autoridades. Ele estava detido na Penitenciária Estadual de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A prisão temporária, com validade de cinco dias, não foi prorrogada pela Justiça, conforme explicou seu advogado, Jair Alves Pereira.
Além do ex-prefeito, a diretora de uma das empresas investigadas, Lorena Mercalli, também foi presa na semana passada e liberada na mesma noite de segunda-feira. A advogada Juliana Baiocco, que defende Lorena, confirmou a soltura de sua cliente. Mesmo em liberdade, os investigados estão proibidos de manter contato entre si, por determinação judicial.
Operação Lamaçal investiga suspeitas de irregularidades em contratos
A Operação Lamaçal, que resultou nas prisões, é um desdobramento de investigações iniciadas em novembro de 2025. Ela apura a suspeita de desvio de dinheiro público em Lajeado, especificamente relacionado aos recursos repassados após a enchente de maio de 2024.
Segundo a Polícia Federal, os valores desviados podem chegar a R$ 5 milhões. O dinheiro, proveniente do Fundo Nacional de Assistência Social, teria sido utilizado de forma irregular em três contratos firmados entre 2020 e 2024, durante a gestão de Caumo no Executivo municipal, que durou de 2017 a 2024.
Investigação também afasta outras autoridades de seus cargos
Além das prisões temporárias, a investigação levou ao afastamento de outras figuras públicas. A vereadora de Encantado, Joanete Cardoso, que atuava como secretária-geral do governo quando Caumo era prefeito, foi afastada de suas funções. Da mesma forma, a secretária de serviços urbanos de Lajeado, Elisete Mayer, que na época ocupava o cargo de chefe de gabinete, também foi removida de suas atribuições.
É importante destacar que a investigação não tem relação com a atual gestão municipal de Lajeado, focando exclusivamente em eventos ocorridos durante o mandato do ex-prefeito. As autoridades continuam a apurar as denúncias para esclarecer completamente as suspeitas de irregularidades no uso de recursos públicos destinados à reconstrução pós-enchentes.
