Interventor assume Turilândia com missão de diagnosticar crise administrativa após desvio milionário
O defensor público Thiago Josino Carrilho de Arruda Macêdo foi oficialmente aprovado como interventor de Turilândia, município maranhense localizado a 160 quilômetros de São Luís, e anunciou que sua primeira prioridade será a elaboração de um relatório completo sobre a situação administrativa e orçamentária da cidade. O documento deve ser concluído em até 90 dias e servirá como base para as ações de recuperação da gestão municipal.
A intervenção foi autorizada pelo Tribunal de Justiça do Maranhão após um escândalo de corrupção que desviou R$ 56 milhões dos cofres públicos, envolvendo o prefeito Paulo Curió (União Brasil), a vice-prefeita, vereadores e familiares. A cidade, com pouco mais de 30 mil habitantes, enfrenta graves desordens administrativas que comprometeram serviços essenciais como saúde, educação e segurança.
Intervenção temporária com duração inicial de 180 dias
Thiago Josino foi indicado pelo governador Carlos Brandão (sem partido) e aprovado pela Assembleia Legislativa do Maranhão. Ele deve tomar posse nos próximos dias e permanecerá no cargo por pelo menos seis meses, sendo afastado de suas funções na Defensoria Pública do Estado durante esse período. A medida vale apenas para o Executivo municipal, enquanto a Câmara de Vereadores continua funcionando normalmente.
"Tenho que apresentar esse relatório circunstancial de todas as situações orçamentárias, financeiras, dos contratos e de como está a condução da gestão municipal de Turilândia", explicou o interventor. "E a partir daí, vou fazer um diagnóstico para ver o que é preciso para que os trabalhos sejam realizados de forma concreta."
Para realizar esse trabalho, Josino contará com o apoio de uma equipe técnica, secretários municipais e servidores. Ele afirmou que fará um trabalho baseado no diálogo, mesmo com mínima participação do Poder Legislativo local.
Oito vereadores presos após descumprirem medidas cautelares
Enquanto o interventor se prepara para assumir, a Justiça do Maranhão decretou a prisão preventiva de oito dos onze vereadores de Turilândia que estavam sendo investigados pelo caso. Eles estavam em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, mas descumpriram as regras estabelecidas, o que levou à decisão judicial.
Os vereadores presos são:
- Gilmar Carlos Gomes Araújo
- Mizael Brito Soares
- José Ribamar Sampaio
- Nadianne Judith Vieira Reis
- Sávio Araújo e Araújo
- Josias Fróes
- Carla Regina Pereira Chagas
- Inailce Nogueira Lopes
Eles serão levados ao Presídio de Pinheiro, onde ficarão à disposição da Justiça. Dois vereadores que cumpriram as restrições não foram alvos do pedido de prisão.
Prefeito e familiares denunciados por organização criminosa
O Ministério Público do Maranhão denunciou o prefeito Paulo Curió, a vice-prefeita Tânya Karla Mendes, a ex-vice-prefeita Janaina Soares e sete familiares por suspeita de integrar uma organização criminosa que desviou recursos públicos. Segundo a Operação Tântalo II, o grupo teria atuado de forma estruturada e estável desde 2021.
O prefeito é acusado de promover, organizar e dirigir o esquema, utilizando seu cargo para manter o funcionamento de empresas de fachada que fraudavam licitações nas áreas da Saúde e Assistência Social. As acusações incluem:
- Organização criminosa
- Desvio de rendas e valores públicos
- Fraude a licitações
- Corrupção passiva
- Lavagem de dinheiro
Entre os familiares denunciados estão a primeira-dama Eva Maria Cutrim Dantas (conhecida como Eva Curió), o pai do prefeito, irmãos, tio e cunhados, todos acusados de atuar como laranjas para movimentar e ocultar os valores desviados.
MP pede ressarcimento de R$ 56,3 milhões e perda de bens
O Ministério Público solicitou na denúncia o ressarcimento integral dos R$ 56,3 milhões desviados, a perda de bens e valores ligados ao esquema (mesmo quando registrados em nome de terceiros), a perda de cargos públicos por abuso de poder e a manutenção das medidas cautelares já aplicadas.
O órgão também deve apresentar nos próximos dias uma nova denúncia contra os onze vereadores que estão em prisão domiciliar e contra servidores suspeitos de participar do esquema. Se aceita, os investigados se tornam réus e passam a responder judicialmente pelos crimes apontados.
Enquanto isso, o interventor Thiago Josino - que é pós-graduado em Direito Público e em Educação em Direitos Humanos, além de presidir o Conselho Penitenciário do Maranhão - se prepara para iniciar seu trabalho de recuperação da administração municipal, prometendo transparência e diálogo no processo de restauração da legalidade em Turilândia.



