Governador do Distrito Federal confirma encontros com dono do Banco Master em meio a investigação de fraude
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, do MDB, admitiu publicamente nesta sexta-feira que esteve em quatro ocasiões com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. No entanto, o chefe do executivo local foi enfático ao negar que tenha tratado, em qualquer desses encontros, sobre a polêmica venda do Master para o Banco de Brasília (BRB).
Investigação da PF apura operação bilionária entre as instituições financeiras
Esse negócio entre os dois bancos é justamente o cerne de uma extensa investigação conduzida pela Polícia Federal, que apura indícios de uma fraude que pode ter desviado bilhões de reais. A operação ganhou novos contornos após o depoimento de Daniel Vorcaro à PF, realizado no dia 30 de dezembro de 2025.
Na ocasião, o empresário afirmou ter tratado pessoalmente com o governador Ibaneis Rocha sobre os negócios entre o Master e o BRB, conforme revelado inicialmente pelo jornal Estado de São Paulo. Detalhes adicionais do testemunho foram divulgados pelo blog da jornalista Andreia Sadi, no portal g1, que obteve a transcrição do depoimento, elaborada com auxílio de inteligência artificial.
Contradições nos depoimentos: Vorcaro cita encontros privados, Ibaneis nega discussões
Nos registros, Vorcaro mencionou o governador de Brasília em dois momentos distintos. Primeiramente, declarou que esteve com Ibaneis Rocha em algumas ocasiões para debater apenas questões técnicas sobre o negócio, em reuniões de caráter institucional e com a presença de outras pessoas.
Em um segundo trecho da transcrição, o ex-presidente do Banco Master revelou que já esteve uma vez na residência do governador e que, em outra oportunidade, recebeu Ibaneis Rocha em sua própria casa. Em resposta a esses relatos, o governador confirmou à TV Globo a realização dos quatro encontros, mas negou veementemente que as conversas tenham girado em torno da venda do Banco Master ao BRB.
Ibaneis Rocha afirmou que "entrou mudo e saiu calado" dos encontros, alegando que os diálogos foram conduzidos pelo então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Este, por sua vez, foi demitido do banco em novembro de 2025, quando o Ministério Público e a PF deflagraram a operação contra o Master.
Oposição reage e protocola pedidos de impeachment na Câmara Legislativa do DF
O clima político aqueceu ainda mais nesta sexta-feira (23), quando a oposição ao governador protocolou dois pedidos de impeachment contra Ibaneis Rocha na Câmara Legislativa do Distrito Federal. A medida reflete a tensão gerada pelas revelações e pela investigação em curso.
Os números envolvidos são astronômicos: o BRB injetou mais de R$ 16 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025. Desse total, cerca de R$ 12 bilhões foram destinados à compra de carteiras de crédito que, posteriormente, se descobriu não pertencerem ao Master e carecerem de lastro financeiro.
Outros envolvidos prestam depoimento e revelam detalhes da operação
No mesmo dia do depoimento de Vorcaro, a Polícia Federal também ouviu Paulo Henrique Costa. O ex-presidente do BRB declarou que só descobriu as irregularidades nas carteiras de crédito após o fechamento do negócio. Ele acrescentou que não sacou os recursos relativos a essas carteiras porque sabia, ainda durante as negociações, que os fundos não existiam de fato.
Em contrapartida, Daniel Vorcaro sustentou em seu depoimento que informou a todos os envolvidos, desde o início, os detalhes completos do negócio. O empresário admitiu que o Master enfrentava problemas de liquidez e utilizava a solidez do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para fechar acordos.
Vale ressaltar que o FGC é constituído por recursos dos maiores bancos brasileiros e tem como função principal reembolsar investidores em casos de falência ou intervenção em uma instituição financeira. O uso estratégico desse fundo na operação é um dos pontos críticos analisados pelas autoridades.