Um deputado estadual do Rio de Janeiro acionou formalmente a TV Globo para esclarecer a condução de um caso de importunação sexual ocorrido dentro do Big Brother Brasil 26. O parlamentar alega que a emissora pode ter cometido obstrução de Justiça ou negligência grave ao não comunicar o incidente às autoridades policiais de imediato.
Ofício questiona conduta da produção do reality
Yuri Moura, presidente da Comissão de Legislação Participativa da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), enviou um documento oficial à TV Globo solicitando explicações urgentes sobre o caso. O fato se refere ao participante Pedro Henrique, que desistiu do programa no último domingo, 18 de janeiro de 2026, após ser flagrado tentando beijar a colega de confinamento Jordana sem o seu consentimento.
No ofício, obtido com exclusividade pela coluna GENTE, o deputado destaca que o crime de importunação sexual é de ação penal pública incondicionada. Isso significa que a investigação independe da vontade da vítima para ser iniciada, tornando a notificação às autoridades uma obrigação legal.
Parlamentar aponta falhas na proteção à vítima
Moura questiona por que Pedro Henrique não foi advertido imediatamente pelo aviso sonoro e expulso do programa assim que o incidente foi identificado. "A inação da produção permitiu que o agressor permanecesse no mesmo ambiente da vítima por um período, expondo-a a um risco desnecessário e a um ambiente de revitimização", afirma um trecho do documento.
Além disso, o texto solicita detalhes sobre a assistência prestada à vítima após o ocorrido e a preservação das provas audiovisuais para a investigação criminal. O deputado reforça a necessidade de transparência e responsabilidade por parte da emissora diante de um caso de violência contra a mulher.
Medidas adicionais para apuração do caso
O parlamentar também informou que oficiou a Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro, solicitando a instauração imediata de um inquérito policial na delegacia competente. "O objetivo é garantir que o caso seja apurado com a seriedade que a violência contra a mulher exige", declarou Yuri Moura à coluna.
Esta não é a primeira vez que órgãos públicos se manifestam sobre o episódio. Recentemente, a Secretaria da Mulher também enviou um ofício à Globo pedindo esclarecimentos, evidenciando a crescente pressão institucional sobre a emissora em relação ao caso.
A situação coloca em evidência não apenas a responsabilidade das produtoras de reality shows em proteger os participantes, mas também o dever legal de colaborar com a Justiça em casos de crimes ocorridos durante as gravações. A expectativa agora é que a TV Globo responda formalmente aos questionamentos e que as investigações policiais avancem para elucidar todas as circunstâncias do ocorrido.