Gilson Machado reage a ação judicial do PT por suposta campanha antecipada de Flávio Bolsonaro
Gilson Machado reage a ação do PT por campanha antecipada de Flávio Bolsonaro

Ex-ministro do Turismo enfrenta denúncia por propaganda eleitoral antecipada

O ex-ministro do Turismo Gilson Machado (Podemos-PE) está no centro de uma polêmica eleitoral após o PT anunciar uma representação judicial contra ele por suposta campanha eleitoral antecipada em favor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a Presidência da República. A ação se baseia na distribuição de adesivos de apoio à candidatura, realizada no último sábado, 15 de fevereiro de 2026, que viralizou nas redes sociais.

Negativa de crime e alegação de uso de verba privada

Em resposta às acusações, Machado gravou um vídeo na última terça-feira, 17 de fevereiro, ao lado do ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga, defendendo sua posição. Ele argumentou que os adesivos foram produzidos com dinheiro privado e não constituem propaganda eleitoral ilegal, pois não solicitam votos para nenhum número específico. "Cada um faz o seu, é um movimento espontâneo", afirmou o político, destacando que o material está disponível em suas redes sociais para download voluntário.

Machado enfatizou ainda que a iniciativa não viola a legislação eleitoral, referindo-se ao artigo 36-A da Lei 9.504/97, que regula a propaganda antecipada. Ele anunciou planos para expandir a ação, com "vários adesivaços" não apenas em Pernambuco, mas em todo o Nordeste, reforçando o caráter regional da mobilização.

Contradições em vídeos e menção explícita a campanha

Contudo, a defesa de Machado é contestada por outro vídeo, também gravado com Queiroga e amplamente divulgado nas redes sociais dos dois. Nessa gravação, o ex-ministro do Turismo menciona abertamente estar em "campanha" por Flávio Bolsonaro, dizendo: "A gente está aqui nesta campanha. Não tem meu nome, nem o seu, Queiroga. Tem o nome de Flávio, porque a gente tem que correr atrás das eleição de Flávio Bolsonaro no Nordeste neste ano".

Queiroga complementou com um apelo direto aos eleitores: "Agora, em 2026, você que é admirador de Jair Bolsonaro, você vota em Flávio Bolsonaro. Nós somos admiradores dos dois". Essas declarações geram questionamentos sobre a legalidade dos atos, pois a lei eleitoral permite a exaltação de pré-candidatos, mas proíbe pedidos explícitos de voto antes do período oficial de campanha.

Posicionamento oficial e esclarecimentos jurídicos

Questionado pela imprensa, Gilson Machado afirmou que ainda não foi formalmente notificado sobre a representação do PT e se colocou à disposição para esclarecer os fatos. Ele reiterou que não cometeu crime eleitoral, baseando-se na interpretação de que os adesivos não ferem a legislação vigente. "Sobre o vídeo do adesivo de Flávio Bolsonaro, informo de antemão, que o mesmo não ofende o artigo 36-A da Lei 9504/97", declarou.

A situação expõe uma zona cinzenta na legislação eleitoral, onde ações de apoio a pré-candidatos podem ser interpretadas de maneiras diferentes. Enquanto Machado insiste na legalidade de sua iniciativa, o PT avança com a ação judicial, argumentando que há indícios de propaganda antecipada, o que poderia configurar infrações eleitorais passíveis de punição.

O caso deve seguir em análise pelos órgãos competentes, com potencial para influenciar debates sobre regulamentação de campanhas políticas e o uso de redes sociais em contextos eleitorais. A reação de Machado reflete uma estratégia de mobilização baseada em engajamento digital, comum em cenários políticos contemporâneos, mas que agora enfrenta escrutínio legal.