Flávio Bolsonaro é alvo de requerimento na CPMI do INSS por ligações com esquema bilionário
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente condenado Jair Bolsonaro e pré-candidato à Presidência da República em 2026, tornou-se alvo de um requerimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A investigação apura um esquema bilionário de fraudes em benefícios previdenciários, com prejuízos estimados em mais de R$ 6 bilhões a milhões de beneficiários vulneráveis.
O caso INSS e as suspeitas contra Flávio
O episódio, conhecido como "Caso INSS", foi desencadeado a partir da "Operação Sem Desconto", da Polícia Federal e outros órgãos de controle. Envolve descontos indevidos em aposentadorias e pensões, com um esquema sofisticado que inclui:
- Criação de entidades fantasmas para cobrar contribuições indevidas
- Lavagem de dinheiro via offshores
- Conexões com o setor financeiro
As suspeitas contra Flávio Bolsonaro são indiretas, baseadas em conexões familiares e profissionais. O requerimento protocolado em 2 de fevereiro de 2026 pelo deputado Rogério Correia (PT-MG) pede a convocação de Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório de advocacia "Flavio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia".
As ligações investigadas
O documento sugere a quebra de sigilos bancário e fiscal de Letícia e a possível inclusão de Flávio nos depoimentos, argumentando uma "conexão suspeita" entre o senador e o núcleo do esquema liderado por Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de "Careca do INSS". As principais ligações apontadas são:
- Laço familiar: Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, contador e sócio do "Careca do INSS" em uma empresa offshore sediada nas Ilhas Virgens Britânicas
- Indicação profissional: Letícia foi indicada para o cargo por Willer Tomaz, advogado aliado próximo de Flávio Bolsonaro
O requerimento destaca esse "entrelaçamento pessoal, familiar, profissional e político", questionando se o escritório de Flávio serviu como ponte para interesses do grupo fraudulento.
Contexto político e reações
Flávio Bolsonaro contestou as alegações, afirmando que Letícia não tem qualquer ligação comprovada com o esquema e classificando o requerimento como uma tentativa de perseguição política. O episódio ganha contornos políticos graves em um cenário de herança familiar complicada:
- Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por liderar tentativa de golpe
- Bolsonaro também foi condenado pelo TSE em 2023 a oito anos de inelegibilidade
Enquanto o grupo bolsonarista acusa o PT e o governo Lula de tentar politizar a CPMI, parlamentares petistas e da base governista demonstram que as fraudes foram ignoradas ou facilitadas durante o governo Bolsonaro. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) criticou bolsonaristas por "falta de moral" para acusar o atual governo.
Desdobramentos e investigações
A CPMI do INSS foi instalada em 2025 para apurar irregularidades em descontos associativos e empréstimos consignados feitos sem autorização de aposentados e pensionistas. Documentos analisados pela comissão mostram que as fraudes teriam se intensificado durante o governo Jair Bolsonaro (2019-2022), com omissões em auditorias e facilidades regulatórias.
A Controladoria-Geral da União (CGU), sob o governo Lula, realizou auditorias em 2024 que embasaram as ações da PF, desmontando o esquema. Até o momento, a CPMI não aprovou as convocações, mas a retomada dos trabalhos em 5 de fevereiro de 2026 pode intensificar o debate.
Em síntese, as relações indiretas via Letícia Caetano dos Reis colocam Flávio Bolsonaro no radar da CPMI, mas o desenrolar depende de aprovações no colegiado e de evidências concretas da Polícia Federal. O caso permanece em investigação, com acusações cruzadas que refletem as divisões políticas do país.