CPMI do INSS recebe extratos de Lulinha com movimentação de R$ 19,5 milhões em quatro anos
Extratos de Lulinha mostram R$ 19,5 milhões movimentados em 4 anos

CPMI do INSS analisa extratos de Lulinha com movimentação de R$ 19,5 milhões

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) recebeu, no fim da tarde desta quarta-feira (5), os extratos bancários de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o material acessado pela comissão, Lulinha realizou 1.531 transações bancárias entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, totalizando uma movimentação financeira de R$ 19,5 milhões no período. Os valores incluem entradas e saídas de recursos, além de transferências internas entre contas do próprio investigado.

Defesa nega envolvimento em fraudes do INSS

A defesa de Lulinha negou qualquer envolvimento do cliente nas fraudes do INSS e afirmou que as fontes de renda são legais e legítimas, incluindo movimentações e bens recebidos por herança. Em nota, a defesa criticou a quebra de sigilo, alegando falta de fundamentação individualizada e apontando para um possível vazamento criminoso dos documentos. A nota enfatiza que as informações divulgadas não mostram ligação com as fraudes investigadas, destacando apenas fontes de renda legítimas, como empresas e heranças.

Detalhes das movimentações por ano

Os extratos revelam as seguintes movimentações anuais:

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  • 2022: R$ 4,66 milhões
  • 2023: R$ 4,01 milhões
  • 2024: R$ 7,27 milhões
  • 2025: R$ 3,37 milhões
  • 2026: R$ 205,4 mil

No total, foram R$ 9,77 milhões em créditos e R$ 9,75 milhões em débitos nos quatro anos analisados, indicando um equilíbrio nas transações.

Origens das entradas na conta

A maior parte das entradas na conta de Lulinha veio de resgates de fundos de investimento, somando R$ 4,4 milhões. Ele também transferiu R$ 735,7 mil de outras contas próprias. Os extratos mostram três repasses do presidente Lula ao filho, totalizando R$ 721 mil, com datas específicas em 2022 e 2023. No mesmo dia de uma transferência superior a R$ 300 mil, Lulinha depositou um cheque de R$ 157,7 mil assinado por Paulo Tarcísio Okamotto.

Empresas das quais Lulinha é sócio com a esposa, Renata de Abreu Moreira, repassaram R$ 3,2 milhões para sua conta, incluindo valores da LLF Tech Participações, G4 Entretenimento e LLF Participações. O restante das entradas, cerca de R$ 1,2 milhão, é composto por produtos bancários como consórcios, previdência, seguros e transações não identificadas.

Destinos das saídas financeiras

A maior parte das saídas — R$ 4,6 milhões — corresponde a transferências para outras contas do próprio Lulinha. Entre janeiro de 2022 e dezembro de 2025, ele realizou 17 transações somando R$ 704 mil para Jonas Leite Suassuna Filho, ex-sócio, com valores variando entre R$ 1.500 e R$ 30,6 mil. Outro ex-sócio, Kalil Bittar, recebeu R$ 750 mil em 15 transações entre janeiro de 2024 e outubro de 2025, com a maioria dos repasses na faixa de R$ 50 mil.

Os extratos também registram oito depósitos em cartão pré-pago, totalizando R$ 11.600, feitos entre novembro de 2023 e janeiro de 2024. As demais transações envolvem pagamentos de boletos e transferências de menor valor para pessoas físicas.

Contexto da investigação da CPMI do INSS

A CPMI do INSS foi instalada para apurar suspeitas de fraudes em benefícios previdenciários, irregularidades administrativas e eventuais atuações de servidores públicos em esquemas criminosos. O envio dos extratos de Lulinha faz parte dos documentos solicitados pela comissão, que ampliou o foco para acompanhar movimentações financeiras consideradas relevantes. Lulinha passou a ser alvo de questionamentos de parlamentares da oposição após a Polícia Federal apreender mensagens trocadas entre Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, e a empresária Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Lulinha.

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Nesta quarta, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Roberta Luchsinger, destacando que a aprovação de 87 requerimentos de forma conjunta violou o devido processo constitucional. O STF esclareceu que essa decisão não afeta outros casos, como a quebra de sigilo de Lulinha.

Críticas da defesa e alegações de vazamento

Em nota extensa, a defesa de Lulinha criticou a forma como a informação foi publicizada, afirmando que a soma de movimentações é irrelevante, pois pode incluir múltiplos registros do mesmo valor em diferentes etapas. A defesa também alegou que o vazamento dos documentos sigilosos configura crime grave e está sendo comunicado às autoridades competentes. Eles reforçam que todos os movimentos e bens são registrados e declarados ao fisco, resultando de atuação legítima ou herança, sem qualquer vínculo com as fraudes do INSS.

Esta reportagem está em atualização, com novos desenvolvimentos esperados à medida que a CPMI do INSS avança nas investigações.