Ex-prefeito de Lajeado é preso pela PF em operação que investiga desvio de verbas federais
Ex-prefeito de Lajeado preso em operação da PF por desvio de verbas

Ex-prefeito de Lajeado é detido em operação da Polícia Federal

Na manhã desta quinta-feira, 26 de setembro, a Polícia Federal (PF) prendeu temporariamente o ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo, em uma ação que investiga supostos desvios de recursos públicos federais. A prisão tem validade de cinco dias e integra a operação batizada de "Lamaçal", que é um desdobramento de investigações iniciadas em novembro de 2025.

Operação apura irregularidades em licitações municipais

Conforme a PF, a investigação concentra-se no possível desvio de verbas do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS), repassadas ao município de Lajeado para auxiliar na recuperação dos estragos causados pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul. A análise de materiais apreendidos em etapas anteriores da operação sustenta a hipótese de direcionamento em processos licitatórios.

As investigações identificaram irregularidades em três licitações da Prefeitura de Lajeado envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico, contratadas para prestar serviços de assistência social. Há indícios de que as escolhas não observaram a proposta mais vantajosa e de que os valores pagos estavam acima dos preços de mercado, conforme explicou a instituição.

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Caumo era secretário estadual quando caso veio à tona

Marcelo Caumo esteve à frente do Executivo municipal de Lajeado entre 2017 e 2024. Na época da primeira fase da operação, em novembro de 2025, ele ocupava o cargo de secretário estadual de Desenvolvimento Urbano. Após a repercussão do caso, Caumo colocou o cargo à disposição e teve o pedido de exoneração aceito.

O advogado Jair Alves Pereira, que representa Marcelo Caumo, informou que ainda não teve acesso à decisão judicial que motivou a prisão do ex-prefeito. A defesa aguarda os detalhes do mandado para tomar as providências cabíveis.

Mandados são cumpridos em múltiplas cidades gaúchas

Além da prisão temporária de Caumo, a operação "Lamaçal" cumpriu 20 mandados de busca e apreensão e um outro mandado de prisão temporária. Há também determinações para sequestro de veículos e bloqueio de ativos financeiros dos investigados.

As ordens judiciais foram expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região e as buscas ocorrem nas cidades de Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre.

Investigação revela contratos milionários com dispensa de licitação

Ao longo da investigação, a PF afirma ter verificado irregularidades em uma licitação específica feita pela prefeitura de Lajeado para contratação de uma empresa que prestaria serviços de psicólogo, assistente social, educador social, auxiliar administrativo e motorista.

Houve dispensa de licitação sob a justificativa do estado de calamidade pública declarado pelo município em 2024. O valor total dos dois contratos, inicialmente levantados no curso do inquérito policial, soma aproximadamente R$ 120 milhões.

Crimes investigados e possíveis penalidades

Os investigados na operação podem responder por uma série de crimes, incluindo:

  • Desvio ou aplicação indevida de verba pública
  • Contratação direta ilegal
  • Fraude em licitação
  • Corrupção passiva e ativa
  • Associação criminosa
  • Lavagem de dinheiro

A operação "Lamaçal" continua em andamento, com a PF coletando evidências e documentação que possam corroborar as suspeitas de irregularidades no uso de recursos públicos destinados à recuperação das áreas afetadas pelas enchentes no Rio Grande do Sul.

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