Condenação histórica em Minas Gerais: ex-prefeito e cúmplices recebem penas por esquema de corrupção
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) proferiu uma sentença significativa ao condenar o ex-prefeito de Guapé, Nelson Alves Lara, e outros investigados no âmbito da Operação Trem da Alegria. A ação, deflagrada em 2024, tinha como objetivo investigar suspeitas de corrupção e desvio de recursos públicos na administração municipal, revelando um esquema criminoso que envolvia figuras-chave do poder local.
Penas aplicadas e crimes cometidos
Nelson Alves Lara foi sentenciado a 17 anos de reclusão, com regime inicial fechado, por sua participação ativa nos ilícitos. Além do ex-prefeito, dois empresários e o ex-diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) também receberam penas de prisão, conforme detalhado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Os crimes imputados incluem corrupção, peculato e fraude em licitação, evidenciando uma rede de irregularidades que prejudicou os cofres públicos.
As investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e pela Procuradoria de Justiça apontaram para uma série de condutas ilícitas. Entre elas, destacam-se a fraude em processos licitatórios para beneficiar empresas contratadas pelo município, especialmente na aquisição de maquinário, caminhões e operadores. Em pelo menos três ocasiões, documentos falsos foram apresentados para atestar horas de trabalho não realizadas, resultando no desvio de aproximadamente R$ 6 mil em recursos públicos.
Detalhes do esquema criminoso
Além das fraudes licitatórias, as apurações revelaram que o ex-prefeito se apropriou de uma televisão destinada à Secretaria de Saúde, utilizando o equipamento para fins particulares. Outro aspecto grave do caso envolve a solicitação de propina por parte de Nelson Lara, que teria exigido de um empresário do setor de urbanização o pagamento equivalente a três lotes, avaliados em cerca de R$ 240 mil. Essas ações demonstram um padrão de abuso de poder e enriquecimento ilícito.
A primeira fase da Operação Trem da Alegria foi deflagrada em 7 de fevereiro de 2024, com o objetivo de desarticular uma suposta organização criminosa instalada na administração municipal. Na ocasião, foram cumpridos mandados de prisão contra o prefeito, o procurador-geral do município, o diretor do SAAE e empresários envolvidos. Até o momento, outras sete ações penais relacionadas ao caso ainda tramitam no Judiciário, indicando a extensão das investigações.
Contexto anterior e medidas cautelares
Vale ressaltar que Nelson Alves Lara já possuía um histórico de condenações. Antes da decisão atual, ele havia sido sentenciado por crime ambiental cometido entre 2017 e 2019, recebendo pena de 1 ano, 11 meses e 10 dias em regime aberto, convertida em penas restritivas de direitos. A empresa envolvida nesse caso foi multada e proibida de contratar com o poder público por quase dois anos, devido ao descarte irregular de entulho que colocou em risco a saúde pública.
Em julho de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogou a prisão preventiva de Nelson Lara e de outros dois investigados, Polwmer Gonçalves Vieira e Reginaldo Fernandes Souza, por entender haver ilegalidade na manutenção da detenção devido a excesso de prazo na tramitação do processo. Com isso, a prisão foi substituída por medidas cautelares, embora as condenações permaneçam válidas.
Até a última atualização, o ex-prefeito ainda não havia dado entrada no sistema prisional, conforme informado pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). A reportagem tentou contato com a defesa de Nelson Alves Lara, mas não obteve retorno, deixando em aberto possíveis recursos ou apelações.



