Ex-diretor e ex-servidor do Banco Central recebem medidas restritivas em operação da PF
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira, 4 de março de 2026, uma nova fase da Operação Compliance Zero, resultando na imposição de medidas restritivas a dois ex-funcionários do Banco Central. Paulo Sérgio de Souza Neves, ex-diretor de fiscalização da autarquia, e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC, foram alvos das ações policiais.
Medidas incluem tornozeleira eletrônica e proibição de contatos
Entre as medidas determinadas pela Justiça, estão o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica e a proibição expressa de comunicação com outros investigados no caso. A decisão foi baseada em análise do ministro André Mendonça, novo relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF).
Mendonça afirmou em sua fundamentação que "as provas documentais, registros de mensagens e fluxos financeiros analisados pela autoridade policial até o momento indicam que os investigados atuavam de forma estruturada e com divisão de tarefas, característica típica de organizações criminosas".
Contexto do afastamento e funções exercidas
Ambos os servidores já haviam sido afastados de suas funções anteriormente pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que cumpriu determinação judicial. Na estrutura do BC, Paulo Sérgio era responsável por toda a área técnica de fiscalização das instituições financeiras, cabendo a ele monitorar a solidez do sistema bancário brasileiro.
Ele foi o funcionário que assinou a autorização para a compra do antigo Banco Máxima por Daniel Vorcaro em 2016, instituição que posteriormente foi rebatizada como Banco Master em 2021. Paulo Sérgio foi substituído em 2023 por Ailton de Aquino.
Já Belline Santana era apontado como sucessor natural de Ailton de Aquino para a diretoria de fiscalização do BC. Coube a ele assinar e encaminhar diversos documentos ao Ministério Público durante seu exercício funcional.
Operação também prendeu dono do Banco Master
A mesma operação resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. As investigações seguem em andamento, com a Polícia Federal coletando novas evidências e depoimentos para esclarecer completamente as supostas irregularidades.
As medidas restritivas impostas aos ex-funcionários do Banco Central representam mais um capítulo no amplo inquérito que investiga possíveis desvios e irregularidades no sistema financeiro nacional, com foco especial nas relações entre reguladores e instituições bancárias.
