Ex-diretor do Rioprevidência alvo da PF defende aportes bilionários no Banco Master
Um dos ex-diretores do Rioprevidência, alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (23), declarou publicamente que não se arrepende dos aportes de quase R$ 1 bilhão da autarquia no Banco Master. As operações financeiras, consideradas supostamente irregulares pelas autoridades, estão no centro de uma investigação que apura gestão fraudulenta, créditos falsos e lavagem de dinheiro.
Operações em foco e justificativas do ex-diretor
Euchério Lerner Rodrigues, que ocupava o cargo de diretor de investimentos do fundo previdenciário estadual, foi convocado em abril do ano passado pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) para prestar esclarecimentos. Auditores do tribunal haviam alertado para graves irregularidades nas transferências de recursos.
Em depoimento no plenário do TCE, Euchério afirmou: “Cada uma das nove operações que foram feitas, nós não nos arrependemos do que foi feito no interesse único e exclusivo do Rioprevidência”. Ele justificou os aportes argumentando que as taxas oferecidas pelo Banco Master eram compatíveis com o nível de risco do banco e ligeiramente superiores às da concorrência.
O ex-diretor complementou: “A gente entendia que era possível, sim, comprar Letras Financeiras do Banco Master. Essas operações foram balizadas com as taxas de mercado para ter certeza de que estávamos tendo a melhor rentabilidade no interesse do Rioprevidência”.
Investigação da Polícia Federal e apreensões
A PF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira, incluindo na residência de Euchério Lerner Rodrigues. Durante a ação, foram apreendidos R$ 3.760 em notas novas, encontrados em uma mochila. Euchério explicou que o valor seria utilizado para pagar um pedreiro por serviços em sua casa.
A corporação policial considera que as operações financeiras expuseram o patrimônio da autarquia a risco elevado e incompatível com sua finalidade. O Rioprevidência é responsável pelo pagamento de benefícios previdenciários a 235 mil servidores do estado do Rio de Janeiro e seus dependentes, incluindo aposentadorias e pensões.
Contexto do Banco Master e críticas do TCE
O Banco Master está em processo de liquidação extrajudicial desde novembro, após o Banco Central apontar insolvência e suspeitas de fraude. Um mês antes, o TCE-RJ havia criticado novamente os aportes e impedido que o fundo previdenciário realizasse novas transações com a instituição financeira.
Além dos R$ 970 milhões investidos diretamente no Master, o Rioprevidência aportou mais de R$ 1,5 bilhão em outros fundos ligados ao banco. O relatório do tribunal indicava que o dinheiro foi aplicado sem qualquer fundamentação e análise técnica por parte dos gestores.
Posicionamento do Rioprevidência
Em nota oficial, o Rioprevidência informou que todos os investimentos efetuados pela autarquia observaram rigorosamente a legislação vigente e as normas dos órgãos de controle. A entidade destacou que está resguardada por decisão judicial, de dezembro de 2025, que determinou a retenção de cerca de R$ 970 milhões, acrescidos de juros e correção monetária.
A medida visa proteger o patrimônio previdenciário dos servidores ativos, aposentados e pensionistas do Estado do Rio. Segundo a autarquia, o investimento já está sendo quitado com a retenção de valores decorrentes dos empréstimos consignados, e os recursos estão à disposição do caixa previdenciário, com liquidação prevista para cerca de dois anos.
O Rioprevidência reforçou seu compromisso com a transparência, a legalidade e a defesa dos recursos previdenciários, afirmando que a prestação de serviços acontece normalmente e o calendário de pagamentos permanece sem alterações.