Ex-delegado da PF destaca papel crucial de Paulo Gonet em investigações do STF
Jorge Pontes, ex-delegado da Polícia Federal e formado pela FBI National Academy, com experiência como membro eleito do Comitê Executivo da Interpol em Lyon, França, e coautor do livro Crime.Gov - Quando Corrupção e Governo se Misturam, apresenta uma análise contundente sobre o caso Master. Segundo ele, a atenção da mídia e da opinião pública está direcionada de forma equivocada, exigindo explicações do ministro Alexandre de Moraes, quando na verdade a responsabilidade recai sobre o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Evidências apontam para suspeitas graves contra ministros do STF
Nos últimos dias, a revelação de trocas de mensagens entre o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente detido, gerou uma onda de editoriais e artigos questionando a conduta do magistrado. No entanto, Pontes argumenta que há dois aspectos críticos que tornam essa situação extremamente suspeita:
- A comunicação ocorreu em momentos cruciais antes da primeira prisão de Vorcaro, em 17 de novembro de 2025, com mensagens de visualização única que impediram o conhecimento de seu conteúdo.
- Existia um contrato entre Vorcaro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, prevendo pagamentos totais de aproximadamente R$ 129 milhões ao longo de três anos.
Com a confirmação técnica por peritos da Polícia Federal do diálogo entre Moraes e Vorcaro, surgem indícios veementes de que o ministro poderia estar atuando como funcionário do ex-banqueiro, com o contrato de sua esposa servindo como pagamento por serviços prestados pelo próprio magistrado. Isso explicaria o contato no dia da prisão de Vorcaro, quando ele tentava salvar seu banco.
Inércia de Paulo Gonet é alvo de críticas
Diante desse cenário, Pontes enfatiza que Paulo Gonet, como procurador-geral da República, é a autoridade exclusiva, conforme a Constituição Federal, para determinar a instauração de inquéritos e, se necessário, oferecer denúncia contra ministros do STF. O silêncio de Moraes pode ser visto como exercício de seu direito de permanecer calado, mas a inação de Gonet é vista como letargia preocupante.
Além disso, a inércia de Gonet se estende ao caso do ministro Dias Toffoli, envolvendo relações com Vorcaro, seu cunhado Fabiano Zettel, e pagamentos de pelo menos R$ 35 milhões à empresa familiar que administrava o resort Tayayá. Mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, amplamente divulgadas pela mídia, detalham esses vínculos e aportes financeiros.
Risco de desmoralização institucional
A situação se agrava com a proximidade da reunião da Segunda Turma do STF, marcada para sexta-feira, 13 de março, que deve referendar a decisão monocrática do ministro André Mendonça autorizando a prisão preventiva de Vorcaro. Se nada for feito, a sociedade brasileira pode testemunhar um ministro suspeito de envolvimento com Vorcaro decidindo sobre sua própria prisão, um cenário que Pontes descreve como absurdo e desmoralizante para as instituições.
Pontes ressalta que, apesar da gravidade, o escândalo do Master trouxe à tona uma criminalidade institucionalizada que poderia permanecer oculta. Ele cita o senador Alessandro Vieira (MDB-Sergipe), relator da CPI do Crime Organizado, que afirmou que o Brasil já viu altas autoridades serem processadas e presas, e agora pode ser a vez de ministros dos tribunais superiores. Quem viver verá, ou não..., conclui Pontes, destacando a importância de ações concretas para preservar a integridade das instituições democráticas.



